quinta-feira, 5 de abril de 2012

DEIXEM-ME TRABALHAR


Hoje resolvi vir aqui fazer um apelo de solidariedade. Será uma espécie de carta fechada ao actor Ricardo Araújo Pereira de quem eu sou, com mais cerca de pelo menos cinco, seis milhões de portugueses, um fervoroso adepto (não estou a incluir as crianças com menos de cinco anos, nem aqueles que não têm ou não vêem televisão).

Foi um assunto que eu ponderei muito bem e, por exemplo, não pensei no Herman e pensei no Ricardo. Mas se o Herman me estiver a ler, oh Herman, acho-te fantástico!!!, não ficas a dever nada ao RAP e, se calhar nalguns aspectos até és melhor, mas… pelo menos lembrei-me de ti, anota isso, ok?.

Mas porquê uma carta ao RAP e não ao Governo ou ao Presidente da Nação, ou ao Cristiano Ronaldo ou mesmo ao Mourinho?
Essa é uma boa pergunta, mas se não resultar com o Ricardo reenvio para o CR7 e se não der também com ele, vou a deus, ou seja, vou dirigir-me ao grande José Mourinho (nem que seja porque vivo no distrito de Setúbal de onde ele é natural). O que é que isso tem a ver?, mais à frente se perceberá, mas eu explicarei, não vale a pena pensar-se que vou pôr aqui alguém a esforçar-se muito com raciocínios elaborados ou subterfúgios muito esquisitos. Eu sou um homem simples, da cidade, sim, mas simples. Um homem que não despreza a vida do campo nem das vacas, mas que gosta muito da cidade, com ou sem leite.

Mas a pergunta era: porquê o RAP e não as outras grandes vedetas portuguesas e mundiais ou mesmo aos órgãos do Estado?
A questão é simples: o Ricardo é uma pessoa mais humilde, está ainda cá um pouco em baixo e ainda precisa de angariar protagonismo (sim, eu sei que está em duas rádios nacionais, que tem recusado convites, que não lhe falta trabalho); mas por outro lado, o Ronaldo e o Mourinho já não precisam de fazer solidariedade: já têm a sua conta e não vão ligar nenhuma ao meu apêlo. A probabilidade que tenho de sucesso com eles é muito menor (nem percebo nada de futebol).

O Ricardo, não, está agora a balançar-se, está a ter algum êxito (em Portugal e no Brasil) e vai querer saber a minha história e vai, com certeza, senão ajudar-me, dizer-me, com franqueza, o que posso fazer e por onde devo ir. Ele é jovem, mas sabe muito!
Com esse seu simples gesto, qual pena soprada ao vento, vai querer contribuir de forma decisiva para a prossecução do seu sucesso, (ele ganhará notoriedade e pelo menos mais uns seis ou sete “gosto” (meu, da minha família e de alguns dos meus amigos) na página dele no facebook) e crescerá a nível social, naquilo que diz respeito à solidariedade, nomeadamente, no que diz respeito ao ajudar os outros, aqueles que precisam, como é o meu caso e isso fica muito bem a qualquer figura pública, como é o RAP.

Acho que ir aos hospitais, às escolas é importante e um gesto bonito, mas ajudarmos um estranho, alguém que nunca vimos nem mais gordo, nem mais magro é um gesto muito nobre e relevante: “ajudar alguém sem olhar a quem”… (por acaso é a mim, mas pronto).

E quanto aos órgãos do Estado, isso está posto de parte. E está fora de questão, porque se lhes vou pedir ajuda ainda me cobram algum imposto ou uma taxa especial relativa à mais-valia de me socorrer aos fundos do Estado. Além disso ainda posso ser incriminado por tráfico de influências e ainda tenho que pagar por, numa altura de crise como esta, estar a querer subverter o estado da economia sustentada e a contribuir de forma acintosa para o agravamento do défice. Portanto, isso eu não quero, não quero passar por essa vergonha, e vou pedir ajuda a quem pode, a quem tem inteligência suficiente para ser capaz de sorrir, digo chorar, destas minha palavras e não socorrer-me de um governo austero que hoje diz uma coisa e amanhã diz outra.

E eu até poderia ser enganado e dizerem-me que sim hoje, que sim senhor, que trabalho não têm (já têm motoristas e secretários ou adjuntos a mais), mas que eu teria uma subvenção vitalícia qualquer. Mas depois, no dia seguinte ainda me mandavam à fava, que era um malandro e coisas desse género ou arranjavam uma justificação capciosa, como por exemplo, “Desculpe lá mas o dinheiro já não dá para si porque nos surgiu uma despesa com que não estávamos à espera, nomeadamente, pagar a multa de excesso de velocidade de Mário Soares que disse que o Estado é que pagava”. Realmente coisas que não lembraria o diabo. E eu teria que entender e meter o rabo entre as pernas, como de resto, já tenho.
Posto isto, acho mesmo que o Ricardo é a pessoa certa. E porquê? Porque temos várias coisas em comum, temos várias afinidades, senão vejamos:

Primeiro, ele é alto como eu. Ele sabe escrever bem e eu também sei escrever. Ele tem mais de trinta anos e eu também, quase o dobro. Ele é Pereira e eu também (será que não somos da mesma família? Dava-me um jeito do caraças…). Depois ele é Ricardo e tenho um filho com o mesmo nome (esta é boa!) e depois ele é inteligente e eu não (como os contrários se atraem aqui funciona essa lei). Outra coisa que temos em comum e esta é talvez a mais relevante é que somos SEMPRE RIVAIS: ele é do Benfica e eu sou do Sporting, embora tenhamos estádios na mesma rua. Por fim, Ele não acredita em Deus e eu estou quase a chegar lá. Se o Ricardo me ajudar, foi Deus que me pôs no seu caminho e conseguirei provar ao Ricardo que ele está enganado, senão estou eu (vamos ver quem tem razão?).

São pois estas questões que me puseram em rota de colisão com o grande Ricardo Araújo Pereira. Será que eclodimos um com o outro? (veja os próximos textos neste blogue, um blogue para me servir e servir a COST.

Ao contrário do que parece à primeira vista a COST não é uma organização lucrativa, mas é apenas a sigla de Comunidade Oportunista e Solidária dos Tristes, (embora haja quem nos chame de Trastes, vá-se lá saber porquê). Já agora fazem parte desta recente comunidade pessoas como o meu pai e minha mãe, (já falecidos), como sócios honorários, os meus três filhos, um meu vizinho e quatro amigos meus, embora um deles esteja no estrangeiro e conto, se quiser aderir, com o seu apoio para fazer parte desta comunidade que nasceu cheia de força anteontem, quando eu pensei, quando estava a lavar os dentes, em fazer este texto.

Aqui chegado só me resta dizer que gostava de conseguir algum protagonismo na minha vida que se está a apagar. A questão é (assim de chofre, toma), se o Ricardo me arranja trabalho? Sei lá, limpar os vidros do escritório, da casa (sou uma pessoa asseada), levá-lo de manhã de carro ainda a dormir à radio, também moro na margem sul (e assim sempre descansa mais um bocadinho), ler as cartas (longas como esta que dão um trabalhão enorme a ler e sempre posso fazer a selecção do que interessa), ler em diagonal os livros para um sketch qualquer em que não tem que fazer figura de que já os leu), ou mesmo os e-mails que recebe, assinalar e separar as facturas dos recebimentos, por exemplo; levar os filhos à escola (sou muito responsável e também tenho dois filhos como o Ricardo). Enfim, sei que não sou bonito, nem larilas, que tenho quase sessenta anos, mas queria ainda ser útil, agora que estou desempregado e à procura do primeiro emprego (e repare que não disse do primeiro trabalho). Veja-me lá isso Ok?!
Finalmente desvendar aqui a questão que atrás deixei em aberto no quarto parágrafo linhas quatro e cinco da página número um e que se prende com o facto de relativamente ao Mourinho, temos em comum, o facto de termos residência fiscal no mesmo distrito, o que já é uma aproximação e uma afinidade. Teremos outras, mas não é hora para isso. 

Mesmo finalmente, para finalizar mesmo (porque está a faltar-me a tinta, só por isso) o CR7 aparece aqui referenciado porque tenho um filho parecidíssimo com o Cristiano, mas só mesmo de aspecto e que eu bem podia ter tido a sorte do meu Ricardo ser o Cristiano (agora não tinha que andar por aqui a pedinchar a ninguém). Mas fica atento Ronaldo que pode ser que se o Ricardo não me ligar nenhuma, sempre te darei a oportunidade de “fazeres bem sem olhar a quem” (e pode ser a mim, nem imaginas o quanto isso me faria feliz!!!).

PS: Depois desta conversa toda, o que sobra é um texto que considero uma carta fechada. E porquê? Porque, estupidamente, não a vou enviar a ninguém. Ficará aqui na minha página do blogue à espera que alguém a abra e depois, então, sim, depois de encontrada será uma carta aberta, ou seja, é uma espécie de carta que fizemos e à qual ainda não pusemos o sêlo, ou então, uma outra figura de estilo que aqui se adapta bem que é, ter um boletim do euro milhões com os números certos e não o registarmos.  Será que há jackpot esta semana e ainda vou a tempo?
Carlos Alberto  05-04-2012

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