sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MUSA

Peço desculpa por te incomodar,
E invadir tua privacidade
Dizer-te o que sinto e falar
Do que é a nossa realidade.
Conheço os teus medos,
Mas não sei teus segredos
Embora do que sinto, gosto
E será que no que aposto
Vou ter o que merecer?
És, sim, minha musa,
Meu desejo, mulher confusa:
Um sonho, talvez, em maré vazia,
Mas quem sabe, um dia...
Embarcarei em teus navios
Mar afora para sentir
O doce sabor e os arrepios
De um amor para parir.
CA

POETA FINGIDOR

Queres a poesia que sinto?
Queres a paixão de um poeta?
Queres a loucura de que não minto?
Queres a verdade concreta?
Queres viver um sonho
De palavras gastas, já escritas?
Ou acreditar nas encriptas
Formas de amar?
Nos sentidos diversos
De quem gosta do que diz?
Que te olha com a ternura
Que sente por uma criança
Numa incondicional aliança
Por quem olhamos, petiz,
Gostamos, protegemos
E que nos leva ao amor?
Queres a poesia que sinto?
Queres a ilusão da minha dor?
CA
Nota:(com alterações ao original)

ESCADAS

Subo as escadas contigo
É a primeira vez e não decido:
Deixo-me levar por ti
No teu sonho e dormi
Embalado nos teus barcos
Como embalo nos teus braços
E cheguei ao cimo e sorri
Do cansaço em vez do abraço
Que me apeteceu e não aconteceu.
Pretexto, talvez
Para lá voltarmos
Outra vez
Provavelmente com mais paixão,
levando-te pela mão.
CA