quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril de 1974

Estou aqui hoje por uma razão que a mim me diz muito e, no entanto, poucos são os que conhecem esta razão e que sabem que, por estar no lugar certo, na hora certa, inadvertidamente, também faço parte da História, protagonizada naquela madrugada desse já distante dia de 25 de Abril de 1974.
 
É uma história pessoal, mas colectiva, porque nos envolve a todos. Uma história de um herói hoje, para uns, mas também de um traidor, para outros que perderam, naquela Revolução dos Cravos, privilégios ou aquilo que por direito, ou não, tinham como seu.
 
Portanto, sou um homem aberto a todas as perspectivas e posso desde já acrescentar, também bastante desiludido com aquilo a que aquela Revolução nos trouxe hoje. Somos um país miserável, com a população transformada em pedinte e os titulares dos sucessivos Governos todos muito bem na vida e alguns com histórias de interesses económicos, políticos e de descredibilidade dramaticamente aterrorizadoras.
 
Participar numa Revolução para estarmos como estamos, meus amigos, só tenho que lamentar. Por isso me afasto também destas pseudo comemorações. 
 
Falamos que somos livres de dizer e escrever o que pensamos, mas na verdade, é uma liberdade falsa. Vivemos uma vida que é uma espécie de jogo de futebol: (imagine-se o jogo Bayern de Munich contra o Barcelona, nas meias finais da Taça dos Campeões: o Barcelona dominou, teve a posse de bola, como costume, e quem é que perdeu por 4-0? : o Barcelona).  O país é igual: deixam-nos falar, berrar, queixarmo-nos contra a pobreza, a fome e o desemprego, e o que é que isso nos trás?: nada!, a não ser mais austeridade e o autismo dos governantes que continuam a refastelar-se, a deslocar-se em carros topo-de-gama, a sairem incólumes do governo para ocuparem cargos em empresas público-privadas: uma afronta a todos nós, que os sustentamos, e a quem vive em condições, dia para dia, cada vez piores.

Tanto piores que foi preciso eu chegar aos quase 60 anos e ficar desempregado. Ao longo da minha carreira, por duas vezes deixei empregos, por opção, despedi-me, e no dia seguinte já estava empregado de novo. Hoje isso é impossível (a menos que pertençamos a alguém ligado à classe política, o que, obviamente, não é o meu caso).
 
E fico-me por aqui neste desabafo. Para o ano, nos 40 anos, divulgarei a minha versão (vista por dentro) de como eu vivi o 25 de Abril de 1974.
 
Carlos Alberto