SILÊNCIO ENSURDECEDOR
A manhã estava
soalheira, mas fresca. O verão ficara lá atrás e o outono ia agora ao lado, tal
como rio. Espelhado de céu salpicado de nuvens brancas dispersas e que voavam comigo,
mergulhei meu olhar taciturno nesse indefinido horizonte aguado. A determinação
arrancara-me da cama e a necessidade do desafio físico presente, fazia-me todo
o sentido. Acompanhado, estava só.
Pela frente um
caminho pedonal tapetado, ora de calçada, ora de cimento colorido para
percorrer. Normalmente o diálogo projecta-nos para outros caminhos e os passos
perdem-se em aventuras por desbravar. Ou os assuntos da actualidade preenchem-nos
os minutos e estes passam em passos largos. É bom, salutar e agradável. Mas nesta
estranha manhã tudo pareceu diferente entre ele e ela. E o ruído do silêncio foi
ensurdecedor. Foram quatro quilómetros de deserto em palavras engolidas em seco.
Como se tivessem tudo para dizer e nada. Percorridos os
primeiros cinquenta metros, procuro fazer o que sempre faço: despoletar um
as…