terça-feira, 17 de março de 2015

FOI HÁ 46 ANOS


Foi há 46 anos. Nasceu de uma ideia idiota de criar um jornal. Tinha eu nessa altura 15 anos. Encontrei em casa uma agenda velha de cor azul e decidi começar a relatar os acontecimentos do meu dia-a-dia. O gosto e a tendência pela escrita materializava-se naquele momento. Hoje olho para a minha estante de livros e lá estão os meus 46 Diários que são o espelho da minha vida, observada, obviamente, do meu ponto de vista.

Há dois aspectos que destaco destes livros e que me marcaram. Um foi ao fim de uns dias de começar a escrever em que quando vou para escrever a página tinha alguém escrito nela dizendo que “eu devia relatar o que sentia, pensava e observava e não o que vivia cronologicamente”. Fiquei lixado com a advertência, mas aprendi a lição. O outro facto foi a utilidade que estes livros tiveram quando dois anos depois de ter deixado a vida militar ter recebido uma intimação para me apresentar no Edifício do Tribunal Militar. Era confrontado com o “crime” de que num determinado dia em que estivera de serviço não tinha entregado a pistola que me fora confiada. Eu não tinha ficado com arma nenhuma, tinham-se passado dois anos... como é que saía daquela situação? Cheguei a casa, fui à procura no Diário daquele dia de há dois anos atrás e verifiquei que naquele dia não só não estivera de serviço, como nem sequer estava ainda naquele quartel onde só chegaria um mês mais tarde.

Resta-me agradecer agora o apoio daqueles que me têm seguido aqui e esperar que ainda tenha mais 46 anos pela frente, sempre a escrever.