quinta-feira, 19 de abril de 2012

SENTIMENTOS


Miratejo, 19 de Abril de 2011 20:30 horas

Um sonho, uma vida cheia de nada. Um passo em falso, uma ilusão sem destino. Um dia para sorrir ou chorar, uma canção para esquecer. Um passado histórico sem um final feliz. As estrelas desapareceram do céu, as nuvens invadiram o meu quotidiano. Já não há crianças a sorrir, brinquedos espalhados pela sala, nem sequer o choro delas a implorar o sono. Partimos. Apenas há um vazio, uma lágrima que desaparece do canto do olho, uma mágoa que nos trespassa o coração. O amor deu lugar ao ódio, o sorriso ao choro. No rosto a palidez de um moribundo, as pernas fracas e magras parecendo palitos. Os braços esqueléticos, informes, sem magia. As mãos, vazias de nada, como areia que se nos escapa por entre os dedos. A manhã está fria e a noite envergonhada. Não há pão na mesa e a lareira está apagada. A toalha está manchada de desgosto e o vinho bolorento no fundo da garrafa entornada sobre a mesa. No tecto um candelabro apagado. Uma vela junto à janela no parapeito frio arde de dor numa chama fugaz que quase se apaga. Não há limpeza, e pelo chão sobram migalhas ressequidas de um pão quente de outrora. Os meus filhos já morreram. Minha mulher já morreu. A casa está negra de tanto arder. Nem sequer há vento. No ar uma paz podre de algo que se esqueceu para trás. Não há nada, nem paisagem, senão um muro grande e alto com tijolos de barro aqui e ali à vista pela corrosão do tempo. Um vulto negro avança pelo ar como que esperando um último estertor. Estou já frio, vou morrer também.
Carlos Alberto

Nota: Esta é apenas uma página do meu Diário que faço há mais de quarenta anos e é a primeira que transcrevo para o computador. Tem para mim um significado especial por isso, e pelo facto de ser neste dia. Traduz a minha dor, por tudo o que vivi e que senti e vale o que vale.
(este resumo é mesmo de 2011)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Escorpião, mas não apenas...


Escorpião, mas não apenas…


Hoje venho aqui só para deixar uma curiosidade que muito me apraz registar e que de certa forma explica um pouco quem sou e porque sou como sou. Afinal tudo tem uma razão de ser.
Aqueles que me conhecem acham que sou uma pessoa muito romântica e apaixonada, extremamente sensível e fogosa. Muito mulherengo e de certa forma galanteador pelo estilo de sedução que me caracteriza, perante as mulheres, dizem que sou um perigo. Ok, só bocas e muita inveja...
Descobri agora que afinal todas estas características que me apontam (e me acusam) se explicam não apenas porque sou de um signo muito quente e que vive intensamente as relações - que se manifestam com fulgor muita plenitude e vontade - mas porque nasci em 1953, imagine-se esta, no mesmo ano que a revista

e que por sinal, teve como figura de capa nada mais, nada menos, que esse símbolo mítico de mulher de incontornável de beleza, mistério e sedução que foi Marilyn Monroe.
Assim se explica, portanto, que é daqui que vem esta minha apetência para uma vida sexual muito activa (isto antes da andropausa, claro) e para as mulheres bonitas.

Face a estes pressupostos, declino a partir de agora quaisquer responsabilidades a mim atribuídas e prova-se que não tive culpa directa no assunto e trata-se apenas de uma questão congénita ao qual fui totalmente alheio. Entendido agora?
PS: O meu pai é que será certamente responsável… e, em última instância, a minha mãe, que se deixou ir na conversa dele.

Carlos Alberto 16-04-2012

Nota: este artigo não teve (infelizmente) o patrocínio da  
 mas tem todo o meu apoio