sexta-feira, 5 de julho de 2013

BALANÇO I

Acordei hoje com vontade de escrever algo. Inspirei-me numa estrela.
(Chamo-lhe Balanço I porque é provável que tenha continuação.)

Sou o que sou,
valho o que valho,
cometi muitos erros,

faltou-me o trabalho.

Passei muito tempo a andar
de um lado para o outro,
não parei para pensar
que no amanhã seria pouco.


Não tenho cursos nem licenciaturas,
mestrados e afins, não;
dei tudo aos outros, assinaturas
e a olhar por mim, em vão.


Pouco me importei e investi
em mim: não valia a pena!
Hoje como um sem abrigo senti
que por engano estive em cena.

Fui especial às vezes,
fui pão de ló, arroz doce;
hoje carcaça dura, velha de meses.
Lamento minha postura que fosse
tão usada por interesses.


Tenho aquilo que mereço,
sempre o disse e afirmei
e repito com apreço:
sou aquilo que realizei.


Mas não desisti de viver
mesmo curvado das costas.
Ergo-me direito para fazer
o que tu, minha estrela, me mostras.


Sigo este caminho de vida
acreditando que é este o meu,
fingindo e achando que a lida
com tropeções e quedas, não doeu.


Tudo vale o que vale,
seja sonho, desilusão ou paixão:
vivendo por amor nada é igual
quando se vive gerido pelo coração.


E se estou errado ou certo
tudo vou ficar a saber;
sei que estou já bem perto
do dia em que vou morrer.

Carlos Alberto