COM OU SEM MAR
Quero ouvir os pardais, as gaivotas, observar o oceano a beijar as margens;
quero sentir as aragens,
e também ouvir tua voz.
Sentir o teu cheiro, tua essência
perdida nesta concha de noz.
Navego à tua procura: Escondes-te e não estás.
Rejeitas-me, ignoras-me,
ou não sou capaz.
Quero fazer poesia, cantar, dançar com mestria;
como uma flor a abrir,
erguer-me para o teu abraço;
mas nem me deixas sorrir;
Sobra-me o cansaço.
Fecho-me, triste, derreado
na minha concha embrulhado.
Cubro-me com um lençol
de vergonha amarrotado.
Choro uma mágoa
da qual me quero libertar,
triste por te amar, sem me cansar.
Mas dói-me e tenho medo: dos trovões e das farpas — credo!
Dos zumbidos do vento
que ecoam pelo espaço.
E no dilúvio das vagas
que me enrolam no cansaço
contra as rochas me tragas.
quero sentir as aragens,
e também ouvir tua voz.
Sentir o teu cheiro, tua essência
perdida nesta concha de noz.
Navego à tua procura: Escondes-te e não estás.
Rejeitas-me, ignoras-me,
ou não sou capaz.
Quero fazer poesia, cantar, dançar com mestria;
como uma flor a abrir,
erguer-me para o teu abraço;
mas nem me deixas sorrir;
Sobra-me o cansaço.
Fecho-me, triste, derreado
na minha concha embrulhado.
Cubro-me com um lençol
de vergonha amarrotado.
Choro uma mágoa
da qual me quero libertar,
triste por te amar, sem me cansar.
Mas dói-me e tenho medo: dos trovões e das farpas — credo!
Dos zumbidos do vento
que ecoam pelo espaço.
E no dilúvio das vagas
que me enrolam no cansaço
contra as rochas me tragas.