terça-feira, 16 de agosto de 2016

HÁ 16 ANOS

Vou escrever de improviso, sem rede, completamente despreocupado com as palavras e interessado apenas em expressar sentimentos.
 
Fui pai há dezasseis anos atrás e pela terceira vez. E foi especial e diferente. E porquê?
 
A experiência  de ser pai é sempre gratificante. Foram três momentos especiais e diferentes sendo que se na primeira vez é a novidade, são os receios, a ansiedade. Na segunda, por outro lado, é o reviver do que se viveu da primeira vez e sentimo-nos mais tranquilos, uns experts na matéria, tendo a sensação de que temos tudo controlado. Já o terceiro filho (vá-se lá saber porquê) teve esse condão especial, esse momento mágico que ultrapassa tudo. É a possibilidade de estarmos ali, naquele instante e assistirmos in loco a tudo. É fantástico. 
 
E, de facto, no hospital Espírito Santo, em Ponta Delgada nasceu essa criança adorável que é já uma mulher. São onze e trinta e cinco da noite e vejo-a pela primeira vez a estrebuchar para a nova vida. Tem apenas 1840 gramas e é uma milagre ter resistido a tudo, depois de oito meses na barriga da mãe. Especial? Sim.
 
E guardo hoje as palavras da Celina quando, surpreendentemente, com dez anos, me disse numa conversa de adultos justificando o seu amor por mim: "Pai, não te esqueça, antes de sair de dentro da mãe, saí de dentro de ti".