domingo, 10 de junho de 2012

AMOR

Estou hoje aqui não por causa do 10 de Junho, mas porque tomei uma decisão difícil. E difícil, mas apenas para mim, porque vivo intensamente a vida. Tenho consciência que esta decisão nos outros não terá nenhuma repercursão.

Caí uma vez, tentei levantar-me, consegui, ainda que continue com as cicatrizes provocadas por essa violenta queda.

Caí agora de novo, estou de rastos, mas ciente que tenho que me levantar, ciente das minhas responsabilidades e que a vida não acaba aqui.

Olho para o lado e vejo todas as pessoas rodeadas de gente, de amigos, em convívio, pessoas a conversarem umas com as outras. Eu, no entanto, olho para mim e vejo-me sozinho, sem amizades, sem alguém para conversar, com quem me sinta bem e feliz. Alguém para sair, que eu ame, que me ame, mas com quem me identifique e possa partilhar o quotidiano. Não tenho.

Sim, tenho filhos, tenho irmãos, mas eles estão nas suas vidas, pouco mais se podem interessar por mim. É normal, e nem eu lhes posso exigir mais do que me dão.

Contudo, aqui chegado, sem amizades, sem expectativas quanto ao meu futuro, acabo por tomar uma decisão que me magoa, mas que, como no tempo dos romanos que pela sua honra os homens se suicidavam, também eu, salvo as devidas proporções, me suicido, à minha maneira.
Tudo isto para dizer que eliminei alguns "amigos" da minha página do Facebook.

Só isso? Só. Mas acreditem que para mim foi uma decisão muito difícil. Uma decisão que só a tomei para me sentir mais longe de um sofrimento que eu próprio induzi em mim mesmo, desligando-me assim desse laço umbilical de quem perdi e de quem gosto.

Deixo então para trás pessoas que me deram muito no sentido do que experenciei, e uma vivência que apesar de difícil pelas adaptações que fiz, aos meus princípios, à minha forma de vida, me transmitiram, no entanto, sensações de amizade e confraternização únicas.

Mas tudo o que fiz, fi-lo por amor, não obrigado nem imposto, ninguém tenha dúvidas disso. Gostei de tudo o que fiz e por quem fiz. Foi bom o que vivi, aprendi muito, senti coisas que nunca sentira antes e até comecei a ligar-me aos animais (cães e gatos) com os quais também aprendi a gostar mais e a relacionar-me com eles.

Enfim, tudo na vida fiz e tenho feito por amor, embora, até agora, só tenho perdido com isso, com a mania de ser honesto e dar tudo de mim aos outros. Mas obviamente, não estou a fugir às minhas responsabilidades, nem a dizer que sou um santo. Conheço as minha limitações e que não sou um modelo de pessoa para ninguém. Tenho imensos defeitos, sou um fraco e, portanto, não estou isento de culpas dos erros e fracassos da minha vida.  Só a mim me responsabilizo.

Finalmente dizer que esta minha postura, face à vida, às amizades, face ao meu carácter e forma de vida, me trará algo de que me poderei "orgulhar" que é: quando eu morrer pouco impacto terá a minha morte e poucos serão os que sofrerão com isso. Não haverá ninguém para lamentá-la e poucos serão os que terão estima por mim ou a quem o meu desaparecimento faça alguma diferença. No meu funeral estarão meia dúzia de pessoas (e serão mesmo seis, não mais: quatro a segurarem o caixão e duas que serão o padre, que dirá a missa de corpo presente, e um familiar próximo, que não consigo vislumbrar daqui, mas que será aquele que (me) vai reconhecer o corpo e dizer "sim é ele").

Beijinhos, fiquem todos bem e como disse Raúl Solnado, "façam o favor de ser felizes".

Carlos Alberto