terça-feira, 3 de julho de 2012

MEMÓRIAS Páginas Diário 2011 (1º semestre)

Para não defraudar os meus inúmeros seguidores (...) anónimos que vêm aqui à procura de inspiração (...), vou transcrever algumas daquelas que eu considero as minhas melhores páginas do meu Diário de 2011. É num período em que ainda buscava a felicidade e que agora recordo com nostalgia. Motivei-me com a frase que ouvi a alguém e que diz "o talento dá muito trabalho". Pois é, não basta querermos ter projecção e sermos reconhecidos, é preciso trabalhar para isso. Sem trabalho não se vai a lado nenhum. 

21 de Janeiro 2011 (Miratejo, 22/1 02:10h)

"Desafios"

A noite avança intrépida desafiando o meu sono que me abandona em pensamentos que me castigam e magoam. Não, não sou vítima, mas intérprete de um sonho que já não existe e que me flagela em cada piscar de olhos. Tento adormecer, amordaçar-me para sentir se é verdade ou mentira que alguma vez fui feliz. É um passado que me rasga por dentro, me amaldiçoa, me faz ainda chorar a espaços sem querer voltar atrás. Já nada faz sentido, perderam-se os caminhos, as luzes, as ilusões, tudo se apagou. A realidade agora é outra e é essa vida que eu tenho para viver. Sim, perdi minha vida, estou no lado obscuro, deixei o jardim florido, o céu, para cair não num inferno porque seria injusto, mas desci à terra, ainda que aos trambolhões e estou aqui ainda meio atónito por isto me ter acontecido. Pensava que tinha um amor para toda a vida e entreguei-me a ele de corpo de alma. Afinal, ninguém me avisou de que estava enganado e iludido porque afinal era apenas um amor emprestado. Perdi tudo o que tinha, vivia num paraíso, no sonho de que era feliz. Acordei agora e dói esta realidade que me mata todos os dias um bocadinho, mas é com esta dor que eu tenho que viver o resto dos meus dias.Só a morte é irreversível, mas como um copo de cristal partido, não há forma de voltar a beber por ele, nem que fosse possível juntar todos os cacos. A vida vista assim parece-nos injusta e por isso minha mãe dizia que a sua vida não tinha valido a pena. Perdoa-me minha mãe e meu pai.
(alusão ao facto de não ter sentido um "aviso" dos meus pais falecidos à minha entrega total a um amor que me traiu).
Carlos Alberto

7 de Março 2011 (Miratejo, 20:15h)

"Mau para ser eu"

Tentamos remar contra amaré, sorrir quando temos vontade de chorar. E desafiamos a vida. Não valemos nada e atiramo-nos contra os outros. Somos maus. A vida tem que ser mais do que palavras cruéis que nos ferem os tímpanos. Não podemos descarregar nos outros as nossas incompetências. Estou zangado comigo mesmo. Quero ser melhor, quero ser feliz, quero ser competente. Gostava que a minha incapacidade não ferisse  ninguém. Gostava que as lembranças de mim pudessem ser apenas lembranças boas e não daquele homem agressivo que atira pedras a telhados de vidro. Canso-me, estou cansado. Esgotado de não ter aquilo que quero, de não ser aquilo que devia ser. A minha impotência acaba por não ser não apenas física, mas psicológica, reflectida nos comportamentos que também lesam terceiros. Gostava de ser um melhor homem, melhor colega, melhor amante, melhor amigo, melhor em tudo. Porque não sou bom em nada, senão em ser um fraco. Sim também gostava de ter sido um bom pai, um bom marido, um bom chefe de família. Limito-me a ser uma pessoa que usa estratagemas para sair ileso das lutas que trava. Lutas que não são apenas contra os outros, mas também contra si mesmo. É este homem derreado que aqui podemos encontrar hoje. Não sou uma boa companhia, mesmo assim vou até a casa da Cristina para passar a noite e o dia de amanhã com ela. Na alma levo a mágoa de mim mesmo, a desilusão do que sou, do que fui, do que sou capaz. Ninguém merece um homem como eu, cheio de problemas interiores por resolver e que se atira aos outros como um cão raivoso. Desculpem-me.
Carlos Alberto

8 de Março 2011 (Miratejo, 21:05h)

"Máscaras"

O carnaval foi uma festa. Vestimo-nos a rigor e fomos para a rua. As nossas máscaras destacavam-se das demais, tão diferentes e originais elas eram. As pessoas olhavam para nós e admiravam-se deslumbrando-se com a nossa originalidade e criatividade. Os rostos, os cabelos ao vento, de cores a lembrar o azul do céu e os raios de sol, as roupas da mais fina seda de lantejoulas e berloques a lembrar os reis e princesas de outrora. Fatos de outras épocas relembrando-nos o passado que cortejava a vida. Os sonhos, os bailes, a música valsante com sabor a falsete. Sim, os sapatos nos pés altivam o andar, passo fino e compassado sobre calçadas de flores lançadas ao vento. A alegria agitava-se no ar, crianças por ali ora correndo, ora gritando que vêm lá os doutores. E passávamos em passo lento de quem se sente admirado por todos, prestando-nos vassalagem à nossa passagem. Sim, como foi bom vestir a pele de reis e "condessas" de cima e de baixo, rua acima, rua abaixo na esperança de que um príncipe nos levaria para o castelo encantado da nossa fantasia. Acabei por bater com o braço no candeeiro que se estatelou no chão e acordei. Era quase meio dia, hora de almoçar (...) alguém à mistura, mas que faz bem estar longe porque nos possibilita mais "libertinagem". E valeu a pena ter sido apenas um sonho. Um dia de nada, mas muito bom de paz, amor, bem estar e união. Abre-se um armário e tenho o meu espaço guardado no coração da Cristina.
Carlos Alberto

9 de Março 2011 (Miratejo, 22:30h)

"Para um abraço"

Fui a correr para os teus braços como um amante apaixonado que vai em busca do amor. Vi teu sorriso aberto de quem vê seu apaixonado na esperança de ser retribuído nessa paixão. São momentos que se cruzam no nosso destino por escrever enquanto as raízes crescem e se desenvolvem em ramificações resistentes. É o tempo que nos é dado para descobrirmos do que gostamos, para sorrir do que nos é dado  ou chorarmos pelo que não temos. Sim, eu sei o quanto há por dizer, o quanto fica por sentir, as mágoas que nos rasgam por dentro de passados que nos marcam. E resta o  amor. É bom ver-te, ouvir-te, sentir-te e saber o quanto gostamos. Sei que não estamos no céu, mas o inferno está mais longe. Sei que o verde não é tão verde, mas os morangos são vermelhos e também gosto deles e muito. Pois, é verdade, a beleza! Onde está a beleza das pessoas? Dentro ou fora delas? Já percebi e já escrevi que na maioria dos casos é inversamente proporcional à qualidade humana. Mas Deus não erra. Encontrei-te Cristina navegando rio acima, pelo Douro a fora. Deus nos juntou para nos mostrar algo e é por esse algo que temos que lutar. Não somos talvez o encaixe perfeito, julgamos nós, mas sabe Deus o que é que Ele nos quer mostrar a ambos. Peço-te desculpa de ser quem sou, um homem sem jeito para as cordas da roupa, para os aspiradores, tratar tartarugas ou limpar os simples có-cós dos cães. Mas sou eu, eu sou mesmo assim, um desajeitado, aquele que tu ainda vais gostando aos poucos.
Carlos Alberto

10 de Março 2011 (Miratejo, 23:00h)

"Amor e Raiva"

Palavras enchias na boca com a raiva de quem tem a ânsia de chegar. Cruéis facadas nas costas de quem peca. Sonhos desfeitos em pesadelos de cordas que nos amarram e nos sacodem de frio. São correntes que nos magoam os pulsos, a alma , o coração. Sangue que corre e fervilha pelos poros em queimaduras de sentido ferido. Choram as canções, os gritos, as palmas; os sorrisos rasgam-se em esgares de dor; as vozes soam-nos a murmúrios de espíritos. Vou estar morto e ainda a sofrer das feridas que nunca irão sarar. São espadas de lâminas aguçadas que se atravessam na nossa vida. E nem os sinos a tocar na torre da igreja, as crianças a correrem no jardim, os sorrisos daquelas mulheres lindas que nos olham com ternura e nos fazem mudar de sentido de humor. Sofremos, choramos, sentimos a insensatez que a vida nos reserva. E afinal até acabamos por ser bafejados pela sorte que vem atrás de nós, nos persegue e ajuda a subir os degraus que temos de subir. Somos gente que chora de medo como se a escuridão nos abafasse e sufocasse até à morte. Não, não estamos  a morrer, mas bem vivos. Há no ar a esperança de que o amanhã vai ser mais feliz porque tenho em cima da mesa as flores de que preciso para respirar, para alegrar a minha vida. Obrigado Cristina, dás-me muito.
Carlos Alberto

11 de Março 2011 (Lisboa, 13/3 12:20h)

"És linda"

É o momento sublime. Saio a correr e tento chegar o mais rápido possível. Não me importo do que fica para trás e só quero mesmo é chegar e sentir o momento em que te vejo e te abraço. Olhas para mim a sorrir e teus olhos espalham todo o amor e saudade que sentes. Até podemos estar bem, mas naquele instante tudo o resto se apaga e mais nada interessa. Disparas-me logo as últimas peripécias enquanto eu te pergunto outras coisas mais relevantes, como se tudo aquilo que tens para me contar não fosse mesmo o mais importante. Beijo-te com o amor mais puro que existe sobre a qualidade humana e sorrio para ti como se fosse o meu último gesto. És a razão da minha existência, a força que carrego de quinze em quinze dias quando te vejo e te trago da escola. És o amor perdido, mas que posso ter de vez em quando e apenas em permanência nos meus sonhos. Gosto de ti com a paixão que só um pai pode sentir e abraço-te com a força de uma carícia que se dá sem apertar. É a felicidade espelhada nos nossos rostos, a brincadeira que logo ali começa em trapalhadas onde chego a ser mais criança que tu. E vamos os dois em busca de mais um fim de semana juntos na esperança de nos reencontrarmos de novo. Felizmente que hoje posso partilhar-te com alguém que também gosta muito de ti e que te oferece o mesmo carinho que eu, e que te faz pertencer à família que todos queremos ter. Há um quarto à tua espera, um pijama debaixo da almofada, amor, como se também fosses filha dela (da Cristina). E aos poucos também já lhe pertences um bocadinho. Amo-te Celina.
Carlos Alberto
PS: Li este resumo na altura à Celina e ela escreveu com o seu punho na página "Concordo!"


19 de Abril 2011

"Sentimentos"

(Este resumo já foi transcrito neste blogue, ver Sentimentos)


16 de Maio 2011 (Miratejo, 24:00h)

"Criar uma história diferente"

A paixão é algo maravilhoso que cresce dentro de nós e nos transporta para um universo de sonho. Sentimos. Não sabemos onde está a razão, nem sequer o que é correcto. Só sabemos que amamos. E entregamo-nos de corpo e alma àquilo que é o arco-iris da nossa vida. Mas esta é feita de círculos que começam e acabam num imaginário de pontos que não somos capazes de determinar. Perdemo-nos então num elaborado discurso de amor onde as palavras se confundem e os desejos crescem. Até que há um momento em que, completamente perdidos, nos sacodem e acordamos. Não estamos na cama, nem deitados, não estamos a olhar o céu, nem sequer à beira-mar. Não é o pôr do sol, nem um crepúsculo qualquer. Não há frio nem calor, não há nada senão palavras. E como uma pedra lançada à água de um lago de um jardim plantado no nosso mundo, um círculo e outro e outro se formam, partindo de um nada e crescem, assim as sensações se transformam... E "se criar uma história diferente?" E se o significado é mudar? E se colocarmos uma flor no monitor do computador e pudéssemos reescrever a paixão? Sei o que é amarmos, sou um homem feliz por isso. Os meus sonhos estão na outra margem. Outra história se irá contar, uma história diferente, mais bela entre o acordar de uma manhã  e o deitar sobre um passado que se vive dia-à-dia com o prazer de ter ao lado alguém que compreendemos e queremos que seja feliz.
Carlos Alberto

19 de Maio 2011 (Miratejo 20/5 01:10h)

"Olhar em nada"

As palavras escapam-nos sem sermos capazes de as agarrar. Quantas vezes estes resumos não seriam tão diferentes se pudéssemos  recomeçar de novo (a escrevê-los). Temo que não seja capaz de escrever. Há momentos em que acho que perdi o talento. Falta-me inspiração, aquele olhar que me desperta  a sensação do sol a bater-nos no rosto. Não sei que dizer da vida, das coisas, da paixão que manca rua acima, rua abaixo. Vamos atrás do que não devemos, inspiramo-nos na fonte seca e de onde não brota senão o fel que me queima a boca. Não sei onde está o amor; só sei onde está a razão. Olho à minha volta e vejo as flores murchas. Deito-as no lixo. Já não fazem sentido. Até parece que há no ar uma cumplicidade obrigada. Brinco e já não me apetece. Vou com gosto para o trabalho, sento-me na secretária e sinto o cheiro a perfume que exala da vela acesa. Não há mais nada. Recordo-me dos tempos da juventude em que a paixão se misturava com a razão e não queríamos saber de nada. Os tempos mudaram muito. Convidaram-me para ir para o Brasil. O amigo Mauro telefonou-me. O meu amor não está tão longe. O Atlântico é enorme, basta-me um rio, um corredor minúsculo entre duas secretárias. É o vazio, a Cristina a melhorar o seu aspecto e a querer ir ao encontro de mim correndo atrás de si mesma. E as palavras fogem-nos. Foge-nos o sentimento que nos derrapa das mãos. Somos felizes, queremos ser felizes. Tento ver o que está para além do teu olhar, mas não vejo nada, nem vou ver.
Carlos Alberto 

29 de Maio 2011 (Lisboa, 30/5 23:20h)

"O custo das palavras"

Era uma vez uma manhã. Já era. Quando demos por ela já tinha sido. Acabou. O tempo passara. Não importa como quando as palavras se sobrepõem aos actos. Atos, segundo o novo acordo (ortográfico). Mas eu não quero saber. Acordos, sociedades, só com a mulher e na cama. Foi o que fiz enquanto há tempo, há paixão, há vontade ou talento. Há quem lhe chame também capacidade, como escrever um resumo como se se inventasse a vida. O tempo passa, consome-nos e não resta nada senão a vida que está para a frente. Escrevo o passado, mas ele já não existe, mesmo que o reinvente aqui nestas parcas palavras. Somos nada. Poesia de quadros que rimam para dizer o quanto gosto de ti, mesmo que sejam de uma criança para outra criança.. É bom ver como tudo começa, sentir o que um pequeno coração de dez anos já sofre por amor. Agora imagine-se (um homem) cinco vezes e  meia mais (velho)... Bom, falta a tarde que chega e sobra para o tempo que ficamos em casa. Vivo onde? Sei o que quero. Reparto-me pelo tempo, pelo passado, presente e o futuro que já está aí. É só o tempo de acabar este e já o próximo espreita e diz que estou atrasado. Sim, sim, o prazer de escrever soa mais alto, mas já não é o que era. E só um louco continua a pôr no papel aquilo faz ou lhe vai na alma. Amanhã vai ser chacinado pelo que disse ou escreveu e a memória boa já se foi. Patife! Malandro! Comedor de crianças! Morreu um homem mau. Já se foi.
Carlos Alberto

21 de Junho 2011 (Miratejo 24:00h)

"Estar onde?"

Vivo aqui ou ali? Sou daqui ou de onde? Homem do mundo e de nenhures, caminho errante sabendo que terrenos piso. Cansado ou a correr, feliz ou tranquilo sou uma pessoa que sabe para aonde vai. Ora terra batida, ora asfalto, o sol brilha e a sombra projecta-se sobre os meus passos. Não interessa se é hoje ou amanhã, se o passado custa ou dá para rir. Interessa mesmo é o que nos faz feliz, nos conta uma história, nos aplaude pelos sorrisos, nos beija pelo olhar, nos admira pela franqueza. Que importa se chove ou faz calor. Que vale o tempo se é tão pouco aquele que estamos com a gente que nos ama. E vamos, vamos à pressa em busca desse amor perdido, escondido, na esperança de que não seja tarde e o possamos ver acordado de um dia de cansaço. Que bom que é sentir o amor, ter alguém com quem partilhar o prazer. Lamento, sim, lamento pela Teresa. Como eu gostava de a ver feliz! Ela é uma mulher que não nasceu do lado melhor da lua. Tem sofrido muito e continua a sofrer enquanto luta para ser feliz. Já eu sou um homem de sorte, e quando pensava que a vida tinha terminado para mim e que lutar já não valia a pena, eis que surge uma mulher que não me chamou a atenção, mas que acabei por descobrir por baixo daquela capa de "santa" Teresa de Calcutá, uma "serpente  venenosa" que dá mordidelas que enibriam e nos conduzem a um estado letal de amor profundo. Adoro sentir a sua mudança de pele, suas dentadas que marcam e me injectam um sabor doce de um prazer escondido.
Carlos Alberto

27 de Junho 2011 (Miratejo, 23:55h)

"Dia de cão"

Era uma vez um cão que ladrava, ladrava, mas parece que ninguém o ouvia. Ele uivava, esperneava, fazia-se sentir, mas ninguém lhe ligava nenhuma. Se abanava a cauda todos vinham fazer-lhe festas, se rosnava ninguém se interessava por ele. Coitado do pobre cão que nem se passando por gato conseguia saltar sobre as secretárias, enfiar-se dentro dos armários, esfregar-se nas pernas das mulheres. E, de repente, tudo parece ir abaixo. Cães, gatos, ratos, baratas, aranhas e pintassilgos anda tudo desvairado. Rua acima, rua abaixo, não há sombra que chegue, nem papéis suficientes. Letras de música, digo eu, para quem não conhece uma letra do tamanho de um palácio. De ignorância em ignorância, fuga para os lados, empurra, mais uma forcinha e eis que o sol se vai pondo, o ar vai se amenizando, as folhs já não caem, os cães já não ladram, os gatos espreitam desconfiados  por detrás das janelas e eis que chegamos lá. Restam os homens sentados nas suas poltronas a darem ordens de comando. Somos meros peões, animais de brega, foram-se os botões, os casacos, transpira-se com o calor que aperta. Não temos gravata, nem fato, apenas a humildade de reconhecer que fazemos o melhor possível e que somos poucos para tanto (que fazer). Melhor, melhor, só mesmo na farmácia. O trabalho rouba-nos o sono e parecemos cães a comer aquilo que nos atiram: ossos sem carne que comemos até ao tutano e depois sofremos com as maselas das cáries dentárias...
Carlos Alberto


Terminei aqui este trabalho de compilação. De notar que transcrevi os resumos tal como estão no Diário original e apenas com um ou outro acrescento (entre parenteses) para se perceber o contexto. Naturalmente que a esta distância poderia acrescentar aqui ou ali algo mais, mas preferi não o fazer. Também saliento algo importante que é a forma como escrevo os Diários, isto é, sem recorrer a rede, ou seja, os resumos são manuscritos e se o "português" estiver gramaticalmente incorrecto, não posso fazer nada. Inúmeras vezes me acontece que começo a escrever e, se pudesse volar atrás já não escrevia como escrevi, mas de outra forma. É aquilo a que eu chamo escrever "sem rede", como um trapezista: se falha estatela-se no chão, sem apelo nem agravo. É o risco de continuar, ao longo de mais de 40 anos, a manuscrever as páginas do meu Diário.
Carlos Alberto