quarta-feira, 25 de junho de 2014

AMAR


Alguém escreveu que basta tirar algumas letras para mudar o sabor AMARGO

Então se é assim:


Eu quero que a vida AMARGA seja doce

e que o AMARGO que sinto AMARE de vez

num cais de esperança que é o AMOR

e do qual me afasto em estertor.


Quero AMAR, sem a amargura AMARGA...

deste viver sem doçura, 


quero viver no sorriso que transmite uma criança,


quero AMAR a aliança que perdi 


no dia AMARGO em que te foste e morri.


CA


O CHORO DE UMA CRIANÇA

O choro da criança: é o princípio de tudo:
logo à nascença, para respirarmos,
uma palmada no miúdo.

Precisamos de chorar
e choramos sempre,
na juventude, mais tarde e
até agora, nesta hora:
do passado até ao presente,
pela vida afora.

O pior é o choro que não se ouve.
Aquele silêncio da dor interior
que nos rasga por dentro.
E sofremos sem amor:

Um choro invisível, indescritível.
Na psicologia algo risível:
Causa, efeito, vamos analisar
Que mestre para responder
a tão subtil forma de estar?

E chega a hora do adeus,
para todos e até ateus:
choramos na despedida
dos amigos que já sem vida
nos deixam a alma sentida.

Mas para que tudo acabe bem,
deixo um sorriso de esperança
que na psicologia valerá um vintém
depois do choro de uma criança.

Na psicologia aprendemos
que nada é absolutamente garantido;
muitos mestres, muitas vidas lemos
para um teorema ficar concluído.

E se a criança chora,
Será que não é apenas fome?
- diz este velho agora.
Temendo que por louco me tome
o professor, o melhor é ir-me embora.


Texto elaborado para ser dito na festa do final deste ano da Turma de Psicologia do  Desenvolvimento, sob o tema "O choro da Criança".