quinta-feira, 20 de agosto de 2015

25 de Abril 1974


Uma página do meu diário sobre o 25 de Abril (adaptada)

 “Pelo meu país”
 
Os foguetes ecoaram noite dentro,
na madrugada da libertação.
As vozes do povo ergueram-se
e cantaram a liberdade numa canção.
 
Uma nova canção nasceu,
seja em Grândola, seja em Lisboa,
pela nação como um hino cresceu
uma luta que não aconteceu  à toa.
 
Pela noite dentro e durante o dia fui soldado,
numa História que nunca se viveria
não fossem homens como Salgueiro Maia, idolatrado.
outra versão aqui se contaria.
 
Ainda me lembro naquela noite, acordado, em riste,
da parada para o anfiteatro em que nos disse:
”amigos, vamos salvar Portugal, acabar com a guerra colonial”.
 
Uma noite fantástica e memorável aquela,
No lastro de uma camioneta, bornal à fivela.
Rumo a Lisboa e pela madrugada afora,
ouviu-se no silêncio, de alegria contida
aquela canção soando a vitória,
perdido o medo do que valeria a nossa vida.
E de manhã, na aurora daquele dia,
nascia um país novo que por ele morreria.
 
As pessoas saíram à rua e os cravos espigaram
na ponta das espingardas, as armas se calaram.
Foi uma festa, uma alegria, a vitória dos oprimidos
sobre os opressores, contra os horrores vividos.
 
Acabaram os presos políticos.
Os contestatários foram libertados,
Perderam-se os preconceitos míticos
das cordas fomos desamarrados.
 
A minha pátria voltou a sorrir,
a minha voz voltou a ouvir-se,
injustiças vi dirimir
já não fui à guerra e vi-a a sumir-se.
 
Aqui e na minha terra, Santarém e no Terreiro do Paço,
a fera sucumbiu à luta e nem senti o cansaço:
 
Estive no Camões que se encheu de poetas,
esvaziou-se de ladrões e sucedeu-se de alertas.
 
Lembro-me das fardas da GNR, militares perfilados,
Eles até aos dentes armados;
eu imberbe, de arma na mão,
sabia o que fazia? não sabia, não.
Como reis para atacar-nos como peões;
Eles em parada preparados, e nós sem guiões.
 
Acabar com a guerra colonial?
salvar o meu país: Portugal.
E na fúria de vencer, vi o povo a meu lado erguer;
e o medo, o terror de morrer se perdeu:
o povo saiu à rua e a liberdade venceu.
 
Foi há quarenta anos, parece que foi ontem...
mas com tantos desenganos, por favor, nos soltem.
CA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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