domingo, 14 de outubro de 2012

O TEMPO


Sei que os tempos não estão para a brincadeiras, mas mesmo assim não resisto de transcrever o que deu na real gana num e-mail para uma amiga minha.

TEMPO

O tempo, sempre o tempo, com ou sem tempo.
O tempo que tudo apaga e tudo revela, na querela.
Um tempo que dá para tudo, como no entrudo.
Fingirmos o que somos, querermos o que não temos,
esperamos que o tempo nos dê tempo do que tememos.
E sorrimos por um tempo, com alento,
na esperança que o tempo que nos lança
na cruzada que esperamos seja boa a jornada.

Tempo, sempre o tempo que as pessoas procuram,
para justificar as amarguras de um tempo de agruras.
Palavras que o tempo leva e nos eleva, até cairmos
na desgraça do que somos e desistirmos,
de lutar pelo tempo, contra o tempo, sem tempo
para sorrirmos antes que a morte nos faça perder o alento.

E prontos, é ixto. ásbezes dáme axim extes xeliques de intlegencia desmejurada e na me aguento nas canetas e comexo a iscriber a iscriber e prontos, xou eu mexmo em toda a minha pelenitude de um xer errante, xim, mas um xer ornesto no berdadeiro chentido da palabra.

Nota: os erros xão da pressa de iscreber deprexa e do nerbojo miudin-ho.Pecho per-dão.

Carlos Alberto (o nome já o iscrebo ámuito tempo e natem erros dexerteja)

2 comentários:

  1. “Tempo, sempre o tempo que as pessoas procuram, para justificar..."

    A verdade é que esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, numa vida que só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã.

    E continuamos a procurar o tempo que achamos que não temos, enquanto lamentamos que a vida é curta e agimos como se tivéssemos à nossa disposição todo o tempo do mundo...

    A verdade é que esperamos tempo demais no tempo que não temos...
    Esperamos tempo demais para receber e dar carinho.
    Para dizer as palavras que deveriam ser ditas.
    Para fazer o que nunca tivemos coragem de fazer.
    Para demonstrar amor, para sonhar, para ter esperança...
    E em breve será tarde demais... E o amanhã talvez nem chegue...

    O teu poema é belíssimo, Carlos! Para ler e refletir.
    Muitos parabéns!
    Um beijo.

    AF

    ResponderExcluir
  2. Obrigado Ana

    Sim, o tempo. O tempo que agora já conta de maneira diferente para mim. Quando somos novos "é mais um dia", quando chegamos ao ocaso da vida será sempre "um dia a menos".

    Não tenho dúvidas sobre o significado das tuas palavras que até sou capaz de subscrever, mas também te digo que viverei o que tiver de viver no tempo que me for dado sem subverter o que o destino, em que acredito, guarda para mim.

    "Aquilo que tiver de ser teu, teu será", "Guardado está o bocado para quem o há-de comer" ou "Onde tiveres de ir não podes fugir" são alguns dos aforismos que sempre ouvi da minha Mãe e pelos quais sempre orientei a minha vida. Acredito neles e não me desviarei para impor o que quer que seja, nem a mim nem a ninguém.

    Mais uma vez obrigado pelas tuas sábias palavras, também pelos elogios e fico feliz porque sei que és uma MULHER de corpo inteiro que já viveu muito e que também vai (voltar a) ser feliz amanhã, porque mereces.

    E, por favor, não digas que "o amanhã talvez não chegue" que é absurdo. Vejo-te feliz e muito bem acompanhada na foto que tens no site e só pela tua localização nela revela muito da pessoa que és. Parabéns.

    CA

    ResponderExcluir