A minha vida está a mudar. Lentamente, mas está. Acontecem-me coisas inesperadas, algumas boas, outras desagradáveis e lido mal com estas últimas. Mas estou a começar a perceber que nada acontece por acaso, e, como me dizia a minha querida mãe, "nem tudo o que nos parece mau para nós o é". E, de facto, aos poucos estou a aceitar melhor esta ideia e a perceber que ela tinha razão e que tudo o que nos acontece tem uma razão de ser. Obrigado assim a todos os que de alguma forma têm contribuído para estas mudanças, nomeadamente, os meus novos "seguidores" deste humilde blogue que aqui se juntaram a partir do meu 1º ano de existência nestas águas. E como tudo na vida parece cíclico, repete-se hoje o que senti há quarenta anos atrás. Por isso, aproveito mais uma vez para ir rebuscar às minha memórias um poema que escrevi em 14 de Setembro de 1973 e que aqui passo a transcrever: A VIDA E navego por mares distantes entre peixes e outros animais. Sou carne, ...
A paixão pode surgir-nos e manifestar-se das mais diversas formas. E o amor, sempre o amor está presente, mesmo que as circunstâncias sejam díspares. E hoje que foi um dia muito especial para mim, já era, no entanto, desde há muitos anos atrás e por razões bem mais dolorosas e diferentes. Fatalmente, nesta data, há trinta anos atrás, meu Pai descia à terra. E ainda me lembro dele, do seu rosto de sofrimento, daqueles seus olhos verdes lindos a olhar para dentro, enquanto se agarrava às grades da cama, no hospital, nos seus últimos dias aqui connosco. Depois recordo-me que brinquei com ele, deitado na sua carruagem de pinho, enquanto a noite nos preparava para a sua última viagem, dizendo-lhe que me parecia o Pai Natal, tal era o seu aspecto castiço com aquele algodão em volta do pescoço para esconder a sua doença. Além de um poema, deixamos-lhe também um baralho de cartas para ele jogar com os amigos...
amarras As palavras perdem todo o sentido quando te vejo: e fico feliz só por estares mesmo na distância de um meio metro já não há palavras que valham o ensejo do momento de te sentir perto, olhar-te e os meus sentimentos se calam no desejo do que é certo. Errado: reclamas distância em tua defesa e sobre minha dor acumulada de mágoa e em surpresa minha angústia recrudesce desesperada. Baixo o olhar para o chão, procuro não vacilar, tento segurar-me da morte com minha própria mão e repetir bem alto e forte que não te posso nem devo amar. CA
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