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MEMÓRIAS 2015 (2º SEMESTRE)

Terça-feira, 14 de Julho de 2015 (Torre da Marinha, 21:56h) “Obrigado, meu Deus” E vai tudo correr bem. Não há nada que nos impeça de sermos felizes. Porque é isso que eu quero, é isso que eu desejo, é isso que eu mereço, é isso que eu procuro transmitir aos outros. E a vida acontece. Acordamos, sentimo-nos gratos e vamos em busca, não dos silêncios, mas dos sons que brotam à nossa volta e nos despertam. E são muitos, vindos de todas as direcções, que captamos e gerimos como quem usa colheres que manuseamos e transportamos até à alma. São imensas as sensações e todas boas. Vamos trilhando o caminho e descobrindo cada local, cada momento, como o lugar certo para se estar. E até conseguimos controlar tudo, como se fossemos um super-homem, mas sem capa. Há sorrisos, despertamos prazer. Há luz, sol, calor e até somos um forno a aquecer tudo o que está frio. Somos a paz dentro de uma guerra, somos a flor num jardim palaciano, o anjo da guarda de alguém que protegemos, a tranquilida...

MEMÓRIAS 2015 (1º SEMESTRE)

Segunda-feira, 16 de Março de 2015 (Torre da Marinha, 21:40h) “Partilhando com ratos” É impressionante andarmos aqui nós tão preocupados com a nossa “vidinha” e com as condições que temos nela e, afinal, há gente a viver debaixo da ponte. Gente, como nós, que sem nada que lhes permita viver condignamente, são os caixotes do lixo o seu supermercado e simultaneamente o seu sustento. E é confrangedor ver de tão perto como certas pessoas sobrevivem à vida. São imagens como estas que nos tocam e fazem reflectir sobre o que somos e o que temos. Por isso não me queixo, e digo, sentindo, que sou um homem privilegiado. Nem se percebe como as pessoas se lamentam tanto e acham que as suas vidas são difíceis. Havendo pessoas, mesmo ao nosso lado, a partilharem o seu espaço com ratos à volta e que com eles vivem “portas meias”, vamos queixar-nos do quê? Há um rio que desagua no mar, comboios que os trucidam a todos os momentos, carros que velozmente lhes atropelam, ruidosamente, os ouvidos e...
A terminar o ano, aqui fica uma poesia... Folha De pele enrugada, Rasgada pelo tempo, Pela intempérie vergada, Ao sabor do vento: Surge da minha alma Uma folha Que brota, como sangue, Uma bolha: Lágrima de vida, alada. Escoa-se para a terra— Pó, cinza e nada. CA

"A GALINHA PINTAS"

  A terra onde o Artur vive é um lugar muito tranquilo, lá muito longe num mundo onde todas as pessoas se dão muito bem, são muito amigas e gostam todas umas das outras. É um lugar calmo, fora da cidade, sem confusão, onde se respira paz e tranquilidade, se ouvem os passarinhos a cantar e até o vento sopra sempre muito baixinho para não assustar as pessoas. As árvores agitam-se e balançam como se dançassem ao som de canções de amor e a harmonia é tão perfeita que parecem bailarinas num espectáculo esverdeado cheio de alegria.   No céu, as nuvens estão sempre a criar desenhos e, quando lá vou, o Artur e eu, deitamo-nos no chão e pomo-nos a adivinhar o que são: umas vezes parecem-nos aves, outras parecem-nos golfinhos, outras patos e, algumas nuvens até nos parecem rostos a sorrirem para nós a brincar com a nossa imaginação. Eu não vivo na terra do Artur, mas gosto muito de lá ir por causa disto; assim como gosto das sensações que, tanto ele como aquele lugar, me tra...

QUEM SOMOS

Na verdade somos tudo e nada. Nascemos e morremos. Passamos por aqui, vivenciamos e deixamos uma marca, ou não. Mas regra geral, deixamos, que pode ser boa ou má.   Acredito no destino, não em acasos. Temos um papel a desempenhar. Procuro fazê-lo bem, mas falho muitas vezes e muitas vezes recorro ao "ponto" para continuar. Mas prossigo.   Muitos me conhecem e sabem quem sou. Mas saberão, mesmo? Eu acho que não. Sou como um icebergue e esses que acham que me conhecem só conseguem ver a parte flutuante e visível; a outra parte é privilégio de uns poucos.   Lidar comigo não é fácil, mas cá bem no fundo até nem a uma formiga faço mal (como o meu pai que nos piqueniques as alimentava).    Cuidem-se amigos e sejam felizes. Se precisarem de mim, digam, mas não abusem que já atingi o limite de tolerância para alguns. E aqui fica a minha máxima: "eternamente grato, não é ser eternamente parvo".  

MÃE

Farias hoje 100 anos. Partiste há quase dezoito, mas continuas viva na nossa memória, sempre dentro do nosso coração, sendo o meu amor por ti, como esta escrita, eterno.   Recordamos-te com saudade, mas em alegria e com o vislumbre do teu sorriso que temos sempre presente.    Ainda hoje os teus exemplos são sempre aflorados nas minhas convicções e tenho-te não apenas como uma mulher, mãe, esposa e amiga, mas como alguém cujo comportamento, acima de qualquer interesse pessoal se pautava pelo AMOR aos outros e que tantas vezes o demonstraste nas tuas atitudes.     Foste mãe de três filhos e qualquer um de nós, tenho a certeza, se orgulha da mulher e da mãe que foste, apesar da vida difícil por que passámos, das adversidades da vida, da pobreza, mas sobretudo da alegria, da paz e da harmonia que permanentemente irradiavas.    Finalmente dizer-te OBRIGADO minha mãe por tudo e pela insp...

IRMÃ

Passei dia e meio com a minha irmã. Percebo agora como é delicioso termos irmãos, sobretudo como aqueles que eu tenho.   Jantámos, dormimos uma noite, fomos para a praia no dia seguinte e, principalmente, conversámos.   Foram desabafos atrás de desabafos, coisas da sua vida. Gosto de a ouvir. Ela precisa, compreendo as suas mágoas e tento ajudá-la. É o meu papel.   Estou disponível, por alguma razão e, já me basta saber (e fico feliz), que eu existo, nem que seja para ajudar aqueles que precisam de uma palavra de conforto ou de uma mão que os segure e puxe para cima Assim percebo como faz tanto sentido a minha actual vida.