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FOI HÁ 46 ANOS

Foi há 46 anos. Nasceu de uma ideia idiota de criar um jornal. Tinha eu nessa altura 15 anos. Encontrei em casa uma agenda velha de cor azul e decidi começar a relatar os acontecimentos do meu dia-a-dia. O gosto e a tendência pela escrita materializava-se naquele momento. Hoje olho para a minha estante de livros e lá estão os meus 46 Diários que são o espelho da minha vida, observada, obviamente, do meu ponto de vista. Há dois aspectos que destaco destes livros e que me marcaram. Um foi ao fim de uns dias de começar a escrever em que quando vou para escrever a página tinha alguém escrito nela dizendo que “eu devia relatar o que sentia, pensava e observava e não o que vivia cronologicamente”. Fiquei lixado com a advertência, mas aprendi a lição. O outro facto foi a utilidade que estes livros tiveram quando dois anos depois de ter deixado a vida militar ter recebido uma intimação para me apresentar no Edifício do Tribunal Militar. Era confrontado com o “crime” de que num determina...

Música para os nossos ouvidos

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Para descontrair porque a vida é uma festa. INNA feat. Daddy Yankee - More Than Friends (Official Music Video)

MEMÓRIAS DE 2013

Páginas do Meu Diário (2º Semestre)   Quinta-feira, 4 de Julho de 2013 (Torre da Marinha, 00:40h 05/07) “A sorrir”   Gosto imenso de sonhar, acreditar nos sonhos, e que eles um dia se tornarão realidade. Mas para isso não podemos acordar, não podemos abrir os olhos para ver o que está à nossa frente, ao espelho, porque a desilusão será grande. Ou não. Nem toda a gente é má. Eu procuro ser a melhor pessoa possível. Mas não sou nem a melhor pessoa do mundo nem a pior. Gosto de ser diferente, já me basta. Finalmente acordo. Decididamente encaro a dura realidade. Olho em volta e acabo a sorrir. Estou estranhamente feliz. Agora escrevo algumas coisas pontuais sobre um certo ponto de vista. Não valem nada ou até podem ser interesseiras, oportunistas e até estranhas. Mas escrevo o que sinto. Ando à procura de um mundo novo e diferente. Para mim, as portas abrem-se, aparentemente, e fecham-se de seguida, como que desconfiadas de que, quem bate, possa ser um lad...

A SOPA DAS MASSAS GIGANTES

E ra uma vez um menino chamado Artur e que era muito bem comportado. Tanto em casa como na sua escolinha todos os meninos e educadores gostavam muito dele. Os seus desenhos eram sempre muito lindos, gostava muito de aprender coisas e adorava partilhar aquilo que era seu. Brincava muito, era muito respeitador para com as pessoas mais velhas e procurava sempre ser um bom menino. Com os seus coleguinhas e amigos dava-lhes sempre as suas bolachas e quando jogava um jogo com eles deixava que eles ganhassem algumas vezes para eles não ficarem tristes por perder; assim ganhavam todos e, no fim, todos ficavam sempre felizes e amigos uns dos outros. Em casa, o Artur era também um menino de quem os pais gostavam muito porque ele era realmente um menino muito especial.   Certo dia, o Artur que adorava comer sopa, reparou que a sopa que a sua mãe lhe deu era diferente, parecia especial. “Aquela não era uma sopa qualquer, não, tinha qualquer coisa de mágico e estranh...

LIBERDADE

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            LIVRE?     A liberdade já passou por aqui: Pela liberdade acordei, pela liberdade me vesti e lutei, pela liberdade, liberdade senti.   Imberbe, trajado a rigor arma na mão desafiei sem temor: porque a liberdade crescia ali em sonhos verdes que como homem pari.   Noite, viagem, carros de combate, vento e alento nas mensagens trocadas; deslizando madrugada adentro em pequenas vitórias alcançadas: Confrontos, negociações, desfazer o empate enfrentar as ilusões na liberdade, com arte.   A liberdade já passou por aqui: Heróis a vilões, cravos e canhões, soldados fomos e tememos, o que a História ditará: repercussões do que realmente somos e seremos.   A liberdade já passou por aqui, sim. Um dia saberei se sobrevivi.

MEMÓRIAS DE 2013

Páginas  do Meu Diário ( 1º Semestre) Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013 (Miratejo, 09/01 02:25h) “À espera do milagre” As sombras da noite, as insónias que me invadem o espírito, o silêncio que me percorre o sangue. Deito-me, apago a luz, mas falta-me fazer algo. A meu lado não tenho ninguém. Comigo só mesmo este livro. Escrevo, escrevo sobre ele as memórias do que sou. A morte aguarda-me no escuro e, por isso, fico acordado, à espreita. A mágoa, o amor perdido. Choro, mas porquê? Por quem? Rasgo-me por dentro. Estou farto de ser vítima. Acorda homem! No entanto, não durmo. Olho em volta e apenas sombras, espíritos que me envolvem e me acusam de ser inerte, sem vida, sem paixão. Sonhos e mais sonhos de vida, sem vida. Projectos de amor, de paz, de família; e uma ponte ruiu mesmo por debaixo dos meus pés. Iludi-me no caminho. Errei na estrada. Sofro então por meus filhos, mas levanto-me para lhes dizer que estou bem, que estou feliz, que continuo a ser um homem de sorte,...