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A SOPA DAS MASSAS GIGANTES

E ra uma vez um menino chamado Artur e que era muito bem comportado. Tanto em casa como na sua escolinha todos os meninos e educadores gostavam muito dele. Os seus desenhos eram sempre muito lindos, gostava muito de aprender coisas e adorava partilhar aquilo que era seu. Brincava muito, era muito respeitador para com as pessoas mais velhas e procurava sempre ser um bom menino. Com os seus coleguinhas e amigos dava-lhes sempre as suas bolachas e quando jogava um jogo com eles deixava que eles ganhassem algumas vezes para eles não ficarem tristes por perder; assim ganhavam todos e, no fim, todos ficavam sempre felizes e amigos uns dos outros. Em casa, o Artur era também um menino de quem os pais gostavam muito porque ele era realmente um menino muito especial.   Certo dia, o Artur que adorava comer sopa, reparou que a sopa que a sua mãe lhe deu era diferente, parecia especial. “Aquela não era uma sopa qualquer, não, tinha qualquer coisa de mágico e estranh...

LIBERDADE

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            LIVRE?     A liberdade já passou por aqui: Pela liberdade acordei, pela liberdade me vesti e lutei, pela liberdade, liberdade senti.   Imberbe, trajado a rigor arma na mão desafiei sem temor: porque a liberdade crescia ali em sonhos verdes que como homem pari.   Noite, viagem, carros de combate, vento e alento nas mensagens trocadas; deslizando madrugada adentro em pequenas vitórias alcançadas: Confrontos, negociações, desfazer o empate enfrentar as ilusões na liberdade, com arte.   A liberdade já passou por aqui: Heróis a vilões, cravos e canhões, soldados fomos e tememos, o que a História ditará: repercussões do que realmente somos e seremos.   A liberdade já passou por aqui, sim. Um dia saberei se sobrevivi.

MEMÓRIAS DE 2013

Páginas  do Meu Diário ( 1º Semestre) Terça-feira, 8 de Janeiro de 2013 (Miratejo, 09/01 02:25h) “À espera do milagre” As sombras da noite, as insónias que me invadem o espírito, o silêncio que me percorre o sangue. Deito-me, apago a luz, mas falta-me fazer algo. A meu lado não tenho ninguém. Comigo só mesmo este livro. Escrevo, escrevo sobre ele as memórias do que sou. A morte aguarda-me no escuro e, por isso, fico acordado, à espreita. A mágoa, o amor perdido. Choro, mas porquê? Por quem? Rasgo-me por dentro. Estou farto de ser vítima. Acorda homem! No entanto, não durmo. Olho em volta e apenas sombras, espíritos que me envolvem e me acusam de ser inerte, sem vida, sem paixão. Sonhos e mais sonhos de vida, sem vida. Projectos de amor, de paz, de família; e uma ponte ruiu mesmo por debaixo dos meus pés. Iludi-me no caminho. Errei na estrada. Sofro então por meus filhos, mas levanto-me para lhes dizer que estou bem, que estou feliz, que continuo a ser um homem de sorte,...

QUERIDO PAI

A paixão pode surgir-nos e manifestar-se das mais diversas formas. E o amor, sempre o amor está presente, mesmo que as circunstâncias sejam díspares.   E hoje que foi um dia muito especial para mim, já era, no entanto, desde há muitos anos atrás e por razões bem mais dolorosas e diferentes.   Fatalmente, nesta data, há trinta anos atrás, meu Pai descia à terra.   E ainda me lembro dele, do seu rosto de sofrimento, daqueles seus olhos verdes lindos a olhar para dentro, enquanto se agarrava às grades da cama, no hospital, nos seus últimos dias aqui connosco.   Depois recordo-me que brinquei com ele, deitado na sua carruagem de pinho, enquanto a noite nos preparava para a sua  última viagem, dizendo-lhe que me parecia o Pai Natal, tal era o seu aspecto castiço com aquele algodão em volta do pescoço para esconder a sua doença.    Além de um poema, deixamos-lhe também um baralho de cartas para ele jogar com os amigos...

MUSA

Peço desculpa por te incomodar, E invadir tua privacidade Dizer-te o que sinto e falar Do que é a nossa realidade. Conheço os teus medos, Mas não sei teus segredos Embora do que sinto, gosto E será que no que aposto Vou ter o que merecer? És, sim, minha musa, Meu desejo, mulher confusa: Um sonho, talvez, em maré vazia, Mas quem sabe, um dia... Embarcarei em teus navios Mar afora para sentir O doce sabor e os arrepios De um amor para parir. CA

POETA FINGIDOR

Queres a poesia que sinto? Queres a paixão de um poeta? Queres a loucura de que não minto? Queres a verdade concreta? Queres viver um sonho De palavras gastas, já escritas? Ou acreditar nas encriptas Formas de amar? Nos sentidos diversos De quem gosta do que diz? Que te olha com a ternura Que sente por uma criança Numa incondicional aliança Por quem olhamos, petiz, Gostamos, protegemos E que nos leva ao amor? Queres a poesia que sinto? Queres a ilusão da minha dor? CA Nota:(com alterações ao original)

ESCADAS

Subo as escadas contigo É a primeira vez e não decido: Deixo-me levar por ti No teu sonho e dormi Embalado nos teus barcos Como embalo nos teus braços E cheguei ao cimo e sorri Do cansaço em vez do abraço Que me apeteceu e não aconteceu. Pretexto, talvez Para lá voltarmos Outra vez Provavelmente com mais paixão, levando-te pela mão. CA