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AMARRAS

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amarras As palavras perdem todo o sentido quando te vejo: e fico feliz só por estares mesmo na distância de um meio metro já não há palavras que valham o ensejo do momento de te sentir perto, olhar-te e os meus sentimentos se calam no desejo do que é certo. Errado: reclamas distância em tua defesa e sobre minha dor acumulada de mágoa e em surpresa minha angústia recrudesce desesperada. Baixo o olhar para o chão, procuro não vacilar, tento segurar-me da morte com minha própria mão e repetir bem alto e forte que não te posso nem devo amar. CA

AMAR

Alguém escreveu que basta tirar algumas letras para mudar o sabor AMAR GO Então se é assim: Eu quero que a vida AMARGA seja doce e que o AMARGO que sinto AMARE de vez num cais de esperança que é o AMOR e do qual me afasto em estertor. Quero AMAR, sem a amargura AMARGA ... deste viver sem doçura,  quero viver no sorriso que transmite uma criança, quero AMAR a aliança que perdi  no dia AMARGO em que te foste e morri. CA

O CHORO DE UMA CRIANÇA

O choro da criança: é o princípio de tudo: logo à nascença, para respirarmos, uma palmada no miúdo. Precisamos de chorar e choramos sempre, na juventude, mais tarde e até agora, nesta hora: do passado até ao presente, pela vida afora. O pior é o choro que não se ouve. Aquele silêncio da dor interior que nos rasga por dentro. E sofremos sem amor: Um choro invisível, indescritível. Na psicologia algo risível: Causa, efeito, vamos analisar Que mestre para responder a tão subtil forma de estar? E chega a hora do adeus, para todos e até ateus: choramos na despedida dos amigos que já sem vida nos deixam a alma sentida. Mas para que tudo acabe bem, deixo um sorriso de esperança que na psicologia valerá um vintém depois do choro de uma criança. Na psicologia aprendemos que nada é absolutamente garantido; muitos mestres, muitas vidas lemos para um teorema ficar concluído. E se a criança chora, Será que não é apenas fome? - ...

25 DE ABRIL DE 1974

Onde é que estavas no 25 de Abril? Ele naquele tempo era apenas um imberbe mancebo lançado para a vida – fora das saias da mãe – e que nada sabia sobre o que tinha pela frente. Ali chegado, cabelo rapado, diante do quartel, surgia-lhe assim abruptamente um enorme desafio, completamente novo e diferente e que tinha agora de ser capaz de transpor e superar. Era a nova vida do serviço militar obrigatório. Entregaram-lhe uma arma que veio a reconhecer ser uma espingarda de guerra G3 e, com receio, guardou-a religiosamente no cacifo não fosse aquilo disparar inadvertidamente contra alguém. Aprendeu a manuseá-la e, mais tarde, foi até obrigado a desmontá-la e montá-la, peça por peça, de olhos vendados, com o objectivo de, em cenário nocturno de guerra, ser capaz de ultrapassar, sem ver, um encravamento ou anomalia.   Em exercício, perante as exigências, lembrava-se de sua mãe, chegando a pensar que se elas soubessem o que aqueles tipos faziam aos seus filhos, iam lá e batiam-l...

ESPREITANDO MAIS ALÉM

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Caminhava indiferente, tarde fora, pelo passeio, quando te vi. Olhei-te, insignificante, mas chamaste-me a atenção porque era como se tentasses espreitar mais à frente, o rio ali ao lado. Uma simples planta silvestre, sozinha no meio da relva e, no entanto, destacada, espreitando mais além. Guardei-te na minha alma, com o meu olhar que não te esquece. Aqui serás sempre minha, mesmo que a intempérie te tenha já levado.

SENTIDOS

Saímos para a rua dispostos a viver um dia diferente. A Primavera sobrevoa-nos o horizonte em toda a sua plenitude. Sentimos no ar um clima autêntico, puro e duro, ou melhor, macio, já que uma amena lufada de ar que se faz levemente sentir sopra-nos como que segredos aos ouvidos, acariciando-nos ao mesmo tempo o rosto e de uma forma doce, meiga e reconfortante. Caminhamos sentindo o pulsar da vida: são as crianças que brincam alegremente à nossa volta; ora gritando, ora rindo umas das outras, correndo numa e noutra direcção. O rio calmo, muito sereno e sem qualquer movimento, parece um espelho cintilante reflectindo a acalmia vinda do céu sem nuvens, enquanto um ciclista pedala compassadamente sentado ao selim usufruindo, com a velocidade, a possibilidade de chegar mais depressa. Eu caminho sem pressa por entre as flores, o jardim, as pessoas, os automóveis que passam ao lado e as casas. Observo, sinto, inspiro e expiro com a força intensa que me é permitido pela lei da naturez...

ENERGIAS

Esta podia se a página do Meu Diário de hoje. "As palavras cruzam-se no infinito do seu paralelismo e colidem numa luz que as desperta na razão da energia que transportam. É o inexplicável no presente físico explicável. Dirão uns: acaso, destino; outros, obrigação, sentido da vida. E cada um parte seguindo o seu caminho sem perceber bem o porquê. Atraídos ou não, escolhidos ou não. Razões indefinidas pelo tempo que as descobre e envolve numa manta de retalhos que somos cada um de nós.   Não há cansaços, não há angústia, apenas uma direcção para seguir e partilhar na esperança de que chegaremos ao fim incólumes. Uma jornada de virtudes, com medos e receios que se vão ultrapassando em cada dia da viagem. E que nos espera lá à frente? Paramos, observamos, avaliamos: absorvemos o que nos rodeia e inalamos os odores que se espalham. Serão verdades? Serão mentiras? Que futuro? Perguntas com respostas já dadas ontem, no passado. Mas não as conhecemos intrinsecamente. Experimen...