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25 DE ABRIL DE 1974

Onde é que estavas no 25 de Abril? Ele naquele tempo era apenas um imberbe mancebo lançado para a vida – fora das saias da mãe – e que nada sabia sobre o que tinha pela frente. Ali chegado, cabelo rapado, diante do quartel, surgia-lhe assim abruptamente um enorme desafio, completamente novo e diferente e que tinha agora de ser capaz de transpor e superar. Era a nova vida do serviço militar obrigatório. Entregaram-lhe uma arma que veio a reconhecer ser uma espingarda de guerra G3 e, com receio, guardou-a religiosamente no cacifo não fosse aquilo disparar inadvertidamente contra alguém. Aprendeu a manuseá-la e, mais tarde, foi até obrigado a desmontá-la e montá-la, peça por peça, de olhos vendados, com o objectivo de, em cenário nocturno de guerra, ser capaz de ultrapassar, sem ver, um encravamento ou anomalia.   Em exercício, perante as exigências, lembrava-se de sua mãe, chegando a pensar que se elas soubessem o que aqueles tipos faziam aos seus filhos, iam lá e batiam-l...

ESPREITANDO MAIS ALÉM

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Caminhava indiferente, tarde fora, pelo passeio, quando te vi. Olhei-te, insignificante, mas chamaste-me a atenção porque era como se tentasses espreitar mais à frente, o rio ali ao lado. Uma simples planta silvestre, sozinha no meio da relva e, no entanto, destacada, espreitando mais além. Guardei-te na minha alma, com o meu olhar que não te esquece. Aqui serás sempre minha, mesmo que a intempérie te tenha já levado.

SENTIDOS

Saímos para a rua dispostos a viver um dia diferente. A Primavera sobrevoa-nos o horizonte em toda a sua plenitude. Sentimos no ar um clima autêntico, puro e duro, ou melhor, macio, já que uma amena lufada de ar que se faz levemente sentir sopra-nos como que segredos aos ouvidos, acariciando-nos ao mesmo tempo o rosto e de uma forma doce, meiga e reconfortante. Caminhamos sentindo o pulsar da vida: são as crianças que brincam alegremente à nossa volta; ora gritando, ora rindo umas das outras, correndo numa e noutra direcção. O rio calmo, muito sereno e sem qualquer movimento, parece um espelho cintilante reflectindo a acalmia vinda do céu sem nuvens, enquanto um ciclista pedala compassadamente sentado ao selim usufruindo, com a velocidade, a possibilidade de chegar mais depressa. Eu caminho sem pressa por entre as flores, o jardim, as pessoas, os automóveis que passam ao lado e as casas. Observo, sinto, inspiro e expiro com a força intensa que me é permitido pela lei da naturez...

ENERGIAS

Esta podia se a página do Meu Diário de hoje. "As palavras cruzam-se no infinito do seu paralelismo e colidem numa luz que as desperta na razão da energia que transportam. É o inexplicável no presente físico explicável. Dirão uns: acaso, destino; outros, obrigação, sentido da vida. E cada um parte seguindo o seu caminho sem perceber bem o porquê. Atraídos ou não, escolhidos ou não. Razões indefinidas pelo tempo que as descobre e envolve numa manta de retalhos que somos cada um de nós.   Não há cansaços, não há angústia, apenas uma direcção para seguir e partilhar na esperança de que chegaremos ao fim incólumes. Uma jornada de virtudes, com medos e receios que se vão ultrapassando em cada dia da viagem. E que nos espera lá à frente? Paramos, observamos, avaliamos: absorvemos o que nos rodeia e inalamos os odores que se espalham. Serão verdades? Serão mentiras? Que futuro? Perguntas com respostas já dadas ontem, no passado. Mas não as conhecemos intrinsecamente. Experimen...

MEMÓRIAS 2012

Páginas  do Meu Diário ( 2º Semestre) Desta vez deixo aqui os meus melhores resumos do 2º semestre de 2012, de acordo, obviamente, com o critério que defini. Quinta-feira, 5 de Julho de 2012 (Miratejo, 23:40h) “Um amor à sombra” Encontrei-me numa esplanada da praia. Um livro sobre a mesa e uma bebida que incluía gelo e limão. À minha frente gente que circulava em fato de banho, ora num ora noutro sentido, pelo paredão que me separava dos areais brancos até à água do Oceano, lá ao fundo. Na linha do horizonte há um navio de carga, um petroleiro, daqueles que transportam toneladas de combustível. Há muito sol, mas eu estou à sombra de um enorme chapéu colectivo preto que cobre uma grande parte daquele local aprazível. Não está ali mais ninguém sentado; só eu e o meu livro por desfolhar, poisado sobre a mesa, com o Ginger Ale vertido no copo alto. É apenas um momento de observação. Dali a pouco dou um trago na bebida adocicada e abro uma página marcada, já quase a meio do...

Cristiano Ronaldo

Obrigado Cristiano Ronaldo Não foi apenas Cristiano que chorou, foi um país inteiro que agradece a alegria que nos deu a todos. Foi impressionante ver as imagens de como um simples homem com todo o poder que ele tem e, no entanto, ali estava ele humilde, simples e a sensibilizar-se com o apoio que recebeu. Dizem que os homens não choram, mas penso exactamente o contrário: são os homens que choram que se revelam mais puros e sinceros. No momento de anúncio da sua vitória, chorei com ele e gritei OBRIGADO CRISTIANO RONALDO. Carlos Alberto

PREVISÕES PARA O ANO

Vou aqui partilhar um trabalho que acabei de enviar para as minhas aulas Temas Contemporâneos do Professor Joaquim Letria. Carlos Alberto PREVISÕES PARA O ANO (ESTE OU OUTRO) Sentei-me sobre a minha tarimba, virei-me para a parede e risquei com o meu lápis negro de carpinteiro mais um traço vertical e paralelo a outros sobre um outro perpendicular. Sessenta, disse mentalmente, sorrindo para os que me faltam ainda riscar nesta parcela de parede já tão suja e preenchida. Mas só me resta mesmo sorrir, nos intervalos deste choro que me corrói por dentro. O bom é que mais de metade da pena perpétua a que fui condenado está cumprida, pelo menos é o que diz a previsão. Deitei-me, olhei mais uma vez para este tecto vazio de estrelas, carregado de nuvens e de raios que atravessam o universo e admiti, facilmente, que as previsões são más porque vai haver uma grande tempestade; talvez mesmo um dilúvio. Quis adormecer sem me molhar, virei-me para o outro lado tentando cobrir-m...