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MEMÓRIAS Páginas Diário 2011 (1º semestre)

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Para não defraudar os meus inúmeros seguidores (...) anónimos que vêm aqui à procura de inspiração (...), vou transcrever algumas daquelas que eu considero as minhas melhores páginas do meu Diário de 2011. É num período em que ainda buscava a felicidade e que agora recordo com nostalgia. Motivei-me com a frase que ouvi a alguém e que diz "o talento dá muito trabalho". Pois é, não basta querermos ter projecção e sermos reconhecidos, é preciso trabalhar para isso. Sem trabalho não se vai a lado nenhum.  21 de Janeiro 2011 (Miratejo, 22/1 02:10h) "Desafios" A noite avança intrépida desafiando o meu sono que me abandona em pensamentos que me castigam e magoam. Não, não sou vítima, mas intérprete de um sonho que já não existe e que me flagela em cada piscar de olhos. Tento adormecer, amordaçar-me para sentir se é verdade ou mentira que alguma vez fui feliz. É um passado que me rasga por dentro, me amaldiçoa, me faz ainda chorar a espaços sem querer voltar atr...

AMOR

Estou hoje aqui não por causa do 10 de Junho, mas porque tomei uma decisão difícil. E difícil, mas apenas para mim, porque vivo intensamente a vida. Tenho consciência que esta decisão nos outros não terá nenhuma repercursão. Caí uma vez, tentei levantar-me, consegui, ainda que continue com as cicatrizes provocadas por essa violenta queda. Caí agora de novo, estou de rastos, mas ciente que tenho que me levantar, ciente das minhas responsabilidades e que a vida não acaba aqui. Olho para o lado e vejo todas as pessoas rodeadas de gente, de amigos, em convívio, pessoas a conversarem umas com as outras. Eu, no entanto, olho para mim e vejo-me sozinho, sem amizades, sem alguém para conversar, com quem me sinta bem e feliz. Alguém para sair, que eu ame, que me ame, mas com quem me identifique e possa partilhar o quotidiano. Não tenho. Sim, tenho filhos, tenho irmãos, mas eles estão nas suas vidas, pouco mais se podem interessar por mim. É normal, e nem eu lhes posso exigir mais d...

entorse

Bom, aqui estou de novo, melhor fisicamente, mas pior em termos psicológicos. De facto, estou praticamente recuperado do entorse que fiz. Já ando, já saio de casa, custa-me ainda a colocar o pé naturalmente no chão, mas pelo menos já não tenho que andar ao pé-coxinho. Estou melhor e isso para mim já é bom. Mas se fisicamente recuperei, psicologicamente estou de rastos. Enquanto eu estive por aqui enfiado na minha tristeza de vida, lamentando "a sorte" que tenho tido, sem nenhum apoio específico, a vida parece que continua feliz e contente para muita gente de quem não tive uma única palavra e, claro que sentimos, e como quem não se sente não é filho de boa gente, há coisas que nos fazem que não matam, mas moem e, clraro, fiquei chateado... Mas não me posso queixar. Tenho o que mereço, Sempre disse isso e não é agora que vou deixar de pensar desta maneira, Ninguém tem culpa dos meus erros, só eu. Eu é que não tenho sabido gerir a minha vida e, portanto, o único culpado ...

Magoado

Depois de envergonhado, magoado. Infelizmente, na verdadeira acepção física da palavra. De facto, quando passeava neste sábado, com a Celina na zona de Belém (ia ver a exposição "world press photo") aconteceu-me o inesperado: coloquei mal o pé no chão por causa de um buraco (mais um) na ciclovia que me preparava para atravessar e fiz uma entorse no tornozelo. Nem liguei importância e continuei a andar. A certa altura, no entanto, comecei a sentir-me incomodado e quis olhar para a zona afectada. Estava sentado num maple de madeira com umas almofadas no "Amo-te Café" e quando olhei para o tornozelo reparei que tinha um enorme inchaço, parecia que o osso me saía da perna. Fui logo pedir gelo no quiosque do café e logo ali ataquei o problema. A Celina que tinha ido ao WC nem se apercebeu de como eu estava, de tal forma que comecei a sentir suores frios, a ficar enjoado e mal disposto e acabei por desmaiar; ela pensou que eu estava a brincar. Estive, segundo ela, menos ...

ENVERGONHADO

Infelizmente a nossa vida não é só riso, felicidade e coisas boas. Há momentos difíceis que somos obrigados a viver e, por uma razão ou por outra, todos nós passamos por coisas boas e coisas más durante ela. Evidentemente que haverá escalas ou graus de dificuldades: aquilo que é difícil ou grave para mim, outra pessoa terá um conceito diferente e ultrapassará isso sem dramas. Mas uma coisa é certa “o bem” não é igual para todos e a riqueza está mal distribuída. A nossa mentalidade, talvez por razões históricas, é a do “desenrascanço” e somos uma sociedade onde o “chico esperto” sobressai e se safa sempre. Mas quanto a mim só temos três caminhos a seguir: - ou já nascemos num berço de oiro e estamos safos porque é só gerir o legado que nos deixaram; - ou temos que ser fortes e determinados e ir para a luta, fazer pela vida, lutar por um lugar ao sol, estudando, aprendendo, crescendo e evoluindo garantindo assim a nossa estabilidade para que amanhã não precisemos dos nossos f...

SENTIMENTOS

Miratejo, 19 de Abril de 2011 20:30 horas Um sonho, uma vida cheia de nada. Um passo em falso, uma ilusão sem destino. Um dia para sorrir ou chorar, uma canção para esquecer. Um passado histórico sem um final feliz. As estrelas desapareceram do céu, as nuvens invadiram o meu quotidiano. Já não há crianças a sorrir, brinquedos espalhados pela sala, nem sequer o choro delas a implorar o sono. Partimos. Apenas há um vazio, uma lágrima que desaparece do canto do olho, uma mágoa que nos trespassa o coração. O amor deu lugar ao ódio, o sorriso ao choro. No rosto a palidez de um moribundo, as pernas fracas e magras parecendo palitos. Os braços esqueléticos, informes, sem magia. As mãos, vazias de nada, como areia que se nos escapa por entre os dedos. A manhã está fria e a noite envergonhada. Não há pão na mesa e a lareira está apagada. A toalha está manchada de desgosto e o vinho bolorento no fundo da garrafa entornada sobre a mesa. No tecto um candelabro apagado. Uma vela junto à janela n...

Escorpião, mas não apenas...

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Escorpião, mas não apenas… Hoje venho aqui só para deixar uma curiosidade que muito me apraz registar e que de certa forma explica um pouco quem sou e porque sou como sou. Afinal tudo tem uma razão de ser. Aqueles que me conhecem acham que sou uma pessoa muito romântica e apaixonada, extremamente sensível e fogosa. Muito mulherengo e de certa forma galanteador pelo estilo de sedução que me caracteriza, perante as mulheres, dizem que sou um perigo. Ok, só bocas e muita inveja... Descobri agora que afinal todas estas características que me apontam (e me acusam) se explicam não apenas porque sou de um signo muito quente e que vive intensamente as relações - que se manifestam com fulgor muita plenitude e vontade - mas porque nasci em 1953, imagine-se esta, no mesmo ano que a revista e que por sinal, teve como figura de capa nada mais, nada menos, que esse símbolo mítico de mulher de incontornável de beleza, mistério e sedução que foi Marilyn Monroe. Assim se e...