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Mostrando postagens com o rótulo Poesia

PALAVRAS DE NAMORO

Dia dos namorados, pois; ou apenas palavras a dois? Serão talvez gestos escritos, uma espécie de hieróglifos: Junta-se o carro aos bois.   Letras sobre letras, palavras escrevinhadas será que são tretas as letras escarrapachadas?   Não, claro que não. São como a fome para o pão: há vontade de comer, de beijar, ir a correr e na ânsia de acabar aproveitamos para andar atrás do que queremos ter.   Namoradas e namorados, já se sabe como é: cabem todos, até os desamparados e é um bom negócio até.   Ficam as palavras que sonham em gestos ou balbuciadas; que sobre a tristeza elas ponham as como AMOR realçadas.                

poesia avulsa

Por nenhuma razão especial, digamos que apenas por uma questão de timing (e como há muito que não publico nada), vou juntar nesta mensagem alguns poemas que escrevi há já alguns meses e que resolvi agora colocá-los aqui.   "ÁPICE" Por momentos senti-me assim: Acordava e sorria com o sol a invadir-me a alma. Depois o céu encheu-se de nuvens e, num ápice, um temporal abateu-se sobre o meu jardim: As flores murcharam, espezinhadas pela violência da chuva e eu fechei-me nas sombras do meu quarto. Deitei-me e cobri-me de medo sob cobertores de ilusão.   "DEFEITO" Revelei-te um segredo meu. Algo de muito mau, daqueles, tipo, “ela vai fugir de mim”, meu Deus!!! Hesitei em falar-te dele (assunto sério), difícil de exprimir em palavras, porque é defeito de homem. Nem esperaste um segundo: olhaste-me nos olhos e disseste com toda a naturalidade do mundo: mas qual é o problema?! Eu ajudo-te; porque só me interessa o amor que te tenho....

PALAVRA

  Palavra dita em clamor Tantas vezes mal tratada Há uma que elejo: AMOR Palavra abençoada.    

COM OU SEM MAR

Quero ouvir os pardais, as gaivotas, observar o oceano a beijar as margens; quero sentir as aragens, e também ouvir tua voz. Sentir o teu cheiro, tua essência perdida nesta concha de noz. Navego à tua procura: Escondes-te e não estás. Rejeitas-me, ignoras-me, ou não sou capaz.   Quero fazer poesia, cantar, dançar com mestria; como uma flor a abrir, erguer-me para o teu abraço; mas nem me deixas sorrir; Sobra-me o cansaço.   Fecho-me, triste, derreado na minha concha embrulhado. Cubro-me com um lençol de vergonha amarrotado. Choro uma mágoa da qual me quero libertar, triste por te amar, sem me cansar. Mas dói-me e tenho medo: dos trovões e das farpas — credo! Dos zumbidos do vento que ecoam pelo espaço. E no dilúvio das vagas que me enrolam no cansaço contra as rochas me tragas.
A terminar o ano, aqui fica uma poesia... Folha De pele enrugada, Rasgada pelo tempo, Pela intempérie vergada, Ao sabor do vento: Surge da minha alma Uma folha Que brota, como sangue, Uma bolha: Lágrima de vida, alada. Escoa-se para a terra— Pó, cinza e nada. CA

25 de Abril 1974

Uma página do meu diário sobre o 25 de Abril (adaptada)   “Pelo meu país”   Os foguetes ecoaram noite dentro, na madrugada da libertação. As vozes do povo ergueram-se e cantaram a liberdade numa canção.   Uma nova canção nasceu, seja em Grândola, seja em Lisboa, pela nação como um hino cresceu uma luta que não aconteceu   à toa.   Pela noite dentro e durante o dia fui soldado, numa História que nunca se viveria não fossem homens como Salgueiro Maia, idolatrado. outra versão aqui se contaria.   Ainda me lembro naquela noite, acordado, em riste, da parada para o anfiteatro em que nos disse: ”amigos, vamos salvar Portugal, acabar com a guerra colonial”.   Uma noite fantástica e memorável aquela, No lastro de uma camioneta, bornal à fivela. Rumo a Lisboa e pela madrugada afora, ouviu-se no silêncio, de alegria contida aquela canção soando a vitória, perdido o medo do q...

MUSA

Peço desculpa por te incomodar, E invadir tua privacidade Dizer-te o que sinto e falar Do que é a nossa realidade. Conheço os teus medos, Mas não sei teus segredos Embora do que sinto, gosto E será que no que aposto Vou ter o que merecer? És, sim, minha musa, Meu desejo, mulher confusa: Um sonho, talvez, em maré vazia, Mas quem sabe, um dia... Embarcarei em teus navios Mar afora para sentir O doce sabor e os arrepios De um amor para parir. CA

POETA FINGIDOR

Queres a poesia que sinto? Queres a paixão de um poeta? Queres a loucura de que não minto? Queres a verdade concreta? Queres viver um sonho De palavras gastas, já escritas? Ou acreditar nas encriptas Formas de amar? Nos sentidos diversos De quem gosta do que diz? Que te olha com a ternura Que sente por uma criança Numa incondicional aliança Por quem olhamos, petiz, Gostamos, protegemos E que nos leva ao amor? Queres a poesia que sinto? Queres a ilusão da minha dor? CA Nota:(com alterações ao original)

ESCADAS

Subo as escadas contigo É a primeira vez e não decido: Deixo-me levar por ti No teu sonho e dormi Embalado nos teus barcos Como embalo nos teus braços E cheguei ao cimo e sorri Do cansaço em vez do abraço Que me apeteceu e não aconteceu. Pretexto, talvez Para lá voltarmos Outra vez Provavelmente com mais paixão, levando-te pela mão. CA

AMARRAS

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amarras As palavras perdem todo o sentido quando te vejo: e fico feliz só por estares mesmo na distância de um meio metro já não há palavras que valham o ensejo do momento de te sentir perto, olhar-te e os meus sentimentos se calam no desejo do que é certo. Errado: reclamas distância em tua defesa e sobre minha dor acumulada de mágoa e em surpresa minha angústia recrudesce desesperada. Baixo o olhar para o chão, procuro não vacilar, tento segurar-me da morte com minha própria mão e repetir bem alto e forte que não te posso nem devo amar. CA

AMAR

Alguém escreveu que basta tirar algumas letras para mudar o sabor AMAR GO Então se é assim: Eu quero que a vida AMARGA seja doce e que o AMARGO que sinto AMARE de vez num cais de esperança que é o AMOR e do qual me afasto em estertor. Quero AMAR, sem a amargura AMARGA ... deste viver sem doçura,  quero viver no sorriso que transmite uma criança, quero AMAR a aliança que perdi  no dia AMARGO em que te foste e morri. CA

O CHORO DE UMA CRIANÇA

O choro da criança: é o princípio de tudo: logo à nascença, para respirarmos, uma palmada no miúdo. Precisamos de chorar e choramos sempre, na juventude, mais tarde e até agora, nesta hora: do passado até ao presente, pela vida afora. O pior é o choro que não se ouve. Aquele silêncio da dor interior que nos rasga por dentro. E sofremos sem amor: Um choro invisível, indescritível. Na psicologia algo risível: Causa, efeito, vamos analisar Que mestre para responder a tão subtil forma de estar? E chega a hora do adeus, para todos e até ateus: choramos na despedida dos amigos que já sem vida nos deixam a alma sentida. Mas para que tudo acabe bem, deixo um sorriso de esperança que na psicologia valerá um vintém depois do choro de uma criança. Na psicologia aprendemos que nada é absolutamente garantido; muitos mestres, muitas vidas lemos para um teorema ficar concluído. E se a criança chora, Será que não é apenas fome? - ...

DEIXEM-ME DORMIR

Mudei de casa recentemente. Vivo sozinho aqui para os lados do Seixal, na margem sul do Tejo, já perto da foz em Lisboa. Gosto do espaço, embora não seja aquilo que procurava. Contudo, a proximidade de eventual trabalho e porque já vivo nesta zona há mais de trinta anos, é aqui por estas bandas que me habituei a viver. A proximidade das praias da Costa da Caparica, o clima e outras valências importantes também me seduziram e contribuiram para a minha escolha. É um apartamento pequeno (T1), ainda que acolhedor, numa rua principal, muito movimentada, num prédio de três pisos com nove inquilinos. O sossêgo que procurava e as vistas para a serra ou para o mar aqui não encontro. Por isso, esta não será ainda a minha casa de sonho que andei à procura, e é muito provável que daqui a uns tempos possa até mudar. Até lá, no entanto, com vantagens e desvantagens, é aqui que vou viver nos próximos tempos.   Mas esta abordagem à minha nova residência deve-se apenas à questão da tranqui...

ILHA DO PICO

A pérola negra do atlântico from Carlos Pereira Recebi um email com estas imagens da Ilha do Pico e não pude ficar indiferente. O power point tem o mesmo título que a poesia e aqui fica a minha homenagem àquele que foi eleito o meu lugar de sonho. A PÉROLA NEGRA DO ATLÂNTICO Sim, diz-me muito esta terra negra de paixão que conheci e vivi, onde a vida parece parar, mas tive de partir e deixar, porque a vida é como um vulcão: hoje activo, amanhã não. E nos silêncios da vida, olhamos para trás e sorrimos porque um dia partimos, mas a terra ainda lá está. Feita de rocha, pedra sobre pedra pelo mar moldada e sofrida ainda a sentimos presente como um sopro de ar que se sente numa brisa amena e querida. Cada recanto reconhecemos e deslumbra-nos ainda: cada casa, cada porta, cada olhar; um dia, com certeza perante tanta beleza voltaremos para a abraçar. CA Dedico esta poesia à minha filha cujo nome o deve a um lugar desta terra. PS: Os crédito...