terça-feira, 3 de julho de 2012

MEMÓRIAS Páginas Diário 2011 (1º semestre)

Para não defraudar os meus inúmeros seguidores (...) anónimos que vêm aqui à procura de inspiração (...), vou transcrever algumas daquelas que eu considero as minhas melhores páginas do meu Diário de 2011. É num período em que ainda buscava a felicidade e que agora recordo com nostalgia. Motivei-me com a frase que ouvi a alguém e que diz "o talento dá muito trabalho". Pois é, não basta querermos ter projecção e sermos reconhecidos, é preciso trabalhar para isso. Sem trabalho não se vai a lado nenhum. 

21 de Janeiro 2011 (Miratejo, 22/1 02:10h)

"Desafios"

A noite avança intrépida desafiando o meu sono que me abandona em pensamentos que me castigam e magoam. Não, não sou vítima, mas intérprete de um sonho que já não existe e que me flagela em cada piscar de olhos. Tento adormecer, amordaçar-me para sentir se é verdade ou mentira que alguma vez fui feliz. É um passado que me rasga por dentro, me amaldiçoa, me faz ainda chorar a espaços sem querer voltar atrás. Já nada faz sentido, perderam-se os caminhos, as luzes, as ilusões, tudo se apagou. A realidade agora é outra e é essa vida que eu tenho para viver. Sim, perdi minha vida, estou no lado obscuro, deixei o jardim florido, o céu, para cair não num inferno porque seria injusto, mas desci à terra, ainda que aos trambolhões e estou aqui ainda meio atónito por isto me ter acontecido. Pensava que tinha um amor para toda a vida e entreguei-me a ele de corpo de alma. Afinal, ninguém me avisou de que estava enganado e iludido porque afinal era apenas um amor emprestado. Perdi tudo o que tinha, vivia num paraíso, no sonho de que era feliz. Acordei agora e dói esta realidade que me mata todos os dias um bocadinho, mas é com esta dor que eu tenho que viver o resto dos meus dias.Só a morte é irreversível, mas como um copo de cristal partido, não há forma de voltar a beber por ele, nem que fosse possível juntar todos os cacos. A vida vista assim parece-nos injusta e por isso minha mãe dizia que a sua vida não tinha valido a pena. Perdoa-me minha mãe e meu pai.
(alusão ao facto de não ter sentido um "aviso" dos meus pais falecidos à minha entrega total a um amor que me traiu).
Carlos Alberto

7 de Março 2011 (Miratejo, 20:15h)

"Mau para ser eu"

Tentamos remar contra amaré, sorrir quando temos vontade de chorar. E desafiamos a vida. Não valemos nada e atiramo-nos contra os outros. Somos maus. A vida tem que ser mais do que palavras cruéis que nos ferem os tímpanos. Não podemos descarregar nos outros as nossas incompetências. Estou zangado comigo mesmo. Quero ser melhor, quero ser feliz, quero ser competente. Gostava que a minha incapacidade não ferisse  ninguém. Gostava que as lembranças de mim pudessem ser apenas lembranças boas e não daquele homem agressivo que atira pedras a telhados de vidro. Canso-me, estou cansado. Esgotado de não ter aquilo que quero, de não ser aquilo que devia ser. A minha impotência acaba por não ser não apenas física, mas psicológica, reflectida nos comportamentos que também lesam terceiros. Gostava de ser um melhor homem, melhor colega, melhor amante, melhor amigo, melhor em tudo. Porque não sou bom em nada, senão em ser um fraco. Sim também gostava de ter sido um bom pai, um bom marido, um bom chefe de família. Limito-me a ser uma pessoa que usa estratagemas para sair ileso das lutas que trava. Lutas que não são apenas contra os outros, mas também contra si mesmo. É este homem derreado que aqui podemos encontrar hoje. Não sou uma boa companhia, mesmo assim vou até a casa da Cristina para passar a noite e o dia de amanhã com ela. Na alma levo a mágoa de mim mesmo, a desilusão do que sou, do que fui, do que sou capaz. Ninguém merece um homem como eu, cheio de problemas interiores por resolver e que se atira aos outros como um cão raivoso. Desculpem-me.
Carlos Alberto

8 de Março 2011 (Miratejo, 21:05h)

"Máscaras"

O carnaval foi uma festa. Vestimo-nos a rigor e fomos para a rua. As nossas máscaras destacavam-se das demais, tão diferentes e originais elas eram. As pessoas olhavam para nós e admiravam-se deslumbrando-se com a nossa originalidade e criatividade. Os rostos, os cabelos ao vento, de cores a lembrar o azul do céu e os raios de sol, as roupas da mais fina seda de lantejoulas e berloques a lembrar os reis e princesas de outrora. Fatos de outras épocas relembrando-nos o passado que cortejava a vida. Os sonhos, os bailes, a música valsante com sabor a falsete. Sim, os sapatos nos pés altivam o andar, passo fino e compassado sobre calçadas de flores lançadas ao vento. A alegria agitava-se no ar, crianças por ali ora correndo, ora gritando que vêm lá os doutores. E passávamos em passo lento de quem se sente admirado por todos, prestando-nos vassalagem à nossa passagem. Sim, como foi bom vestir a pele de reis e "condessas" de cima e de baixo, rua acima, rua abaixo na esperança de que um príncipe nos levaria para o castelo encantado da nossa fantasia. Acabei por bater com o braço no candeeiro que se estatelou no chão e acordei. Era quase meio dia, hora de almoçar (...) alguém à mistura, mas que faz bem estar longe porque nos possibilita mais "libertinagem". E valeu a pena ter sido apenas um sonho. Um dia de nada, mas muito bom de paz, amor, bem estar e união. Abre-se um armário e tenho o meu espaço guardado no coração da Cristina.
Carlos Alberto

9 de Março 2011 (Miratejo, 22:30h)

"Para um abraço"

Fui a correr para os teus braços como um amante apaixonado que vai em busca do amor. Vi teu sorriso aberto de quem vê seu apaixonado na esperança de ser retribuído nessa paixão. São momentos que se cruzam no nosso destino por escrever enquanto as raízes crescem e se desenvolvem em ramificações resistentes. É o tempo que nos é dado para descobrirmos do que gostamos, para sorrir do que nos é dado  ou chorarmos pelo que não temos. Sim, eu sei o quanto há por dizer, o quanto fica por sentir, as mágoas que nos rasgam por dentro de passados que nos marcam. E resta o  amor. É bom ver-te, ouvir-te, sentir-te e saber o quanto gostamos. Sei que não estamos no céu, mas o inferno está mais longe. Sei que o verde não é tão verde, mas os morangos são vermelhos e também gosto deles e muito. Pois, é verdade, a beleza! Onde está a beleza das pessoas? Dentro ou fora delas? Já percebi e já escrevi que na maioria dos casos é inversamente proporcional à qualidade humana. Mas Deus não erra. Encontrei-te Cristina navegando rio acima, pelo Douro a fora. Deus nos juntou para nos mostrar algo e é por esse algo que temos que lutar. Não somos talvez o encaixe perfeito, julgamos nós, mas sabe Deus o que é que Ele nos quer mostrar a ambos. Peço-te desculpa de ser quem sou, um homem sem jeito para as cordas da roupa, para os aspiradores, tratar tartarugas ou limpar os simples có-cós dos cães. Mas sou eu, eu sou mesmo assim, um desajeitado, aquele que tu ainda vais gostando aos poucos.
Carlos Alberto

10 de Março 2011 (Miratejo, 23:00h)

"Amor e Raiva"

Palavras enchias na boca com a raiva de quem tem a ânsia de chegar. Cruéis facadas nas costas de quem peca. Sonhos desfeitos em pesadelos de cordas que nos amarram e nos sacodem de frio. São correntes que nos magoam os pulsos, a alma , o coração. Sangue que corre e fervilha pelos poros em queimaduras de sentido ferido. Choram as canções, os gritos, as palmas; os sorrisos rasgam-se em esgares de dor; as vozes soam-nos a murmúrios de espíritos. Vou estar morto e ainda a sofrer das feridas que nunca irão sarar. São espadas de lâminas aguçadas que se atravessam na nossa vida. E nem os sinos a tocar na torre da igreja, as crianças a correrem no jardim, os sorrisos daquelas mulheres lindas que nos olham com ternura e nos fazem mudar de sentido de humor. Sofremos, choramos, sentimos a insensatez que a vida nos reserva. E afinal até acabamos por ser bafejados pela sorte que vem atrás de nós, nos persegue e ajuda a subir os degraus que temos de subir. Somos gente que chora de medo como se a escuridão nos abafasse e sufocasse até à morte. Não, não estamos  a morrer, mas bem vivos. Há no ar a esperança de que o amanhã vai ser mais feliz porque tenho em cima da mesa as flores de que preciso para respirar, para alegrar a minha vida. Obrigado Cristina, dás-me muito.
Carlos Alberto

11 de Março 2011 (Lisboa, 13/3 12:20h)

"És linda"

É o momento sublime. Saio a correr e tento chegar o mais rápido possível. Não me importo do que fica para trás e só quero mesmo é chegar e sentir o momento em que te vejo e te abraço. Olhas para mim a sorrir e teus olhos espalham todo o amor e saudade que sentes. Até podemos estar bem, mas naquele instante tudo o resto se apaga e mais nada interessa. Disparas-me logo as últimas peripécias enquanto eu te pergunto outras coisas mais relevantes, como se tudo aquilo que tens para me contar não fosse mesmo o mais importante. Beijo-te com o amor mais puro que existe sobre a qualidade humana e sorrio para ti como se fosse o meu último gesto. És a razão da minha existência, a força que carrego de quinze em quinze dias quando te vejo e te trago da escola. És o amor perdido, mas que posso ter de vez em quando e apenas em permanência nos meus sonhos. Gosto de ti com a paixão que só um pai pode sentir e abraço-te com a força de uma carícia que se dá sem apertar. É a felicidade espelhada nos nossos rostos, a brincadeira que logo ali começa em trapalhadas onde chego a ser mais criança que tu. E vamos os dois em busca de mais um fim de semana juntos na esperança de nos reencontrarmos de novo. Felizmente que hoje posso partilhar-te com alguém que também gosta muito de ti e que te oferece o mesmo carinho que eu, e que te faz pertencer à família que todos queremos ter. Há um quarto à tua espera, um pijama debaixo da almofada, amor, como se também fosses filha dela (da Cristina). E aos poucos também já lhe pertences um bocadinho. Amo-te Celina.
Carlos Alberto
PS: Li este resumo na altura à Celina e ela escreveu com o seu punho na página "Concordo!"


19 de Abril 2011

"Sentimentos"

(Este resumo já foi transcrito neste blogue, ver Sentimentos)


16 de Maio 2011 (Miratejo, 24:00h)

"Criar uma história diferente"

A paixão é algo maravilhoso que cresce dentro de nós e nos transporta para um universo de sonho. Sentimos. Não sabemos onde está a razão, nem sequer o que é correcto. Só sabemos que amamos. E entregamo-nos de corpo e alma àquilo que é o arco-iris da nossa vida. Mas esta é feita de círculos que começam e acabam num imaginário de pontos que não somos capazes de determinar. Perdemo-nos então num elaborado discurso de amor onde as palavras se confundem e os desejos crescem. Até que há um momento em que, completamente perdidos, nos sacodem e acordamos. Não estamos na cama, nem deitados, não estamos a olhar o céu, nem sequer à beira-mar. Não é o pôr do sol, nem um crepúsculo qualquer. Não há frio nem calor, não há nada senão palavras. E como uma pedra lançada à água de um lago de um jardim plantado no nosso mundo, um círculo e outro e outro se formam, partindo de um nada e crescem, assim as sensações se transformam... E "se criar uma história diferente?" E se o significado é mudar? E se colocarmos uma flor no monitor do computador e pudéssemos reescrever a paixão? Sei o que é amarmos, sou um homem feliz por isso. Os meus sonhos estão na outra margem. Outra história se irá contar, uma história diferente, mais bela entre o acordar de uma manhã  e o deitar sobre um passado que se vive dia-à-dia com o prazer de ter ao lado alguém que compreendemos e queremos que seja feliz.
Carlos Alberto

19 de Maio 2011 (Miratejo 20/5 01:10h)

"Olhar em nada"

As palavras escapam-nos sem sermos capazes de as agarrar. Quantas vezes estes resumos não seriam tão diferentes se pudéssemos  recomeçar de novo (a escrevê-los). Temo que não seja capaz de escrever. Há momentos em que acho que perdi o talento. Falta-me inspiração, aquele olhar que me desperta  a sensação do sol a bater-nos no rosto. Não sei que dizer da vida, das coisas, da paixão que manca rua acima, rua abaixo. Vamos atrás do que não devemos, inspiramo-nos na fonte seca e de onde não brota senão o fel que me queima a boca. Não sei onde está o amor; só sei onde está a razão. Olho à minha volta e vejo as flores murchas. Deito-as no lixo. Já não fazem sentido. Até parece que há no ar uma cumplicidade obrigada. Brinco e já não me apetece. Vou com gosto para o trabalho, sento-me na secretária e sinto o cheiro a perfume que exala da vela acesa. Não há mais nada. Recordo-me dos tempos da juventude em que a paixão se misturava com a razão e não queríamos saber de nada. Os tempos mudaram muito. Convidaram-me para ir para o Brasil. O amigo Mauro telefonou-me. O meu amor não está tão longe. O Atlântico é enorme, basta-me um rio, um corredor minúsculo entre duas secretárias. É o vazio, a Cristina a melhorar o seu aspecto e a querer ir ao encontro de mim correndo atrás de si mesma. E as palavras fogem-nos. Foge-nos o sentimento que nos derrapa das mãos. Somos felizes, queremos ser felizes. Tento ver o que está para além do teu olhar, mas não vejo nada, nem vou ver.
Carlos Alberto 

29 de Maio 2011 (Lisboa, 30/5 23:20h)

"O custo das palavras"

Era uma vez uma manhã. Já era. Quando demos por ela já tinha sido. Acabou. O tempo passara. Não importa como quando as palavras se sobrepõem aos actos. Atos, segundo o novo acordo (ortográfico). Mas eu não quero saber. Acordos, sociedades, só com a mulher e na cama. Foi o que fiz enquanto há tempo, há paixão, há vontade ou talento. Há quem lhe chame também capacidade, como escrever um resumo como se se inventasse a vida. O tempo passa, consome-nos e não resta nada senão a vida que está para a frente. Escrevo o passado, mas ele já não existe, mesmo que o reinvente aqui nestas parcas palavras. Somos nada. Poesia de quadros que rimam para dizer o quanto gosto de ti, mesmo que sejam de uma criança para outra criança.. É bom ver como tudo começa, sentir o que um pequeno coração de dez anos já sofre por amor. Agora imagine-se (um homem) cinco vezes e  meia mais (velho)... Bom, falta a tarde que chega e sobra para o tempo que ficamos em casa. Vivo onde? Sei o que quero. Reparto-me pelo tempo, pelo passado, presente e o futuro que já está aí. É só o tempo de acabar este e já o próximo espreita e diz que estou atrasado. Sim, sim, o prazer de escrever soa mais alto, mas já não é o que era. E só um louco continua a pôr no papel aquilo faz ou lhe vai na alma. Amanhã vai ser chacinado pelo que disse ou escreveu e a memória boa já se foi. Patife! Malandro! Comedor de crianças! Morreu um homem mau. Já se foi.
Carlos Alberto

21 de Junho 2011 (Miratejo 24:00h)

"Estar onde?"

Vivo aqui ou ali? Sou daqui ou de onde? Homem do mundo e de nenhures, caminho errante sabendo que terrenos piso. Cansado ou a correr, feliz ou tranquilo sou uma pessoa que sabe para aonde vai. Ora terra batida, ora asfalto, o sol brilha e a sombra projecta-se sobre os meus passos. Não interessa se é hoje ou amanhã, se o passado custa ou dá para rir. Interessa mesmo é o que nos faz feliz, nos conta uma história, nos aplaude pelos sorrisos, nos beija pelo olhar, nos admira pela franqueza. Que importa se chove ou faz calor. Que vale o tempo se é tão pouco aquele que estamos com a gente que nos ama. E vamos, vamos à pressa em busca desse amor perdido, escondido, na esperança de que não seja tarde e o possamos ver acordado de um dia de cansaço. Que bom que é sentir o amor, ter alguém com quem partilhar o prazer. Lamento, sim, lamento pela Teresa. Como eu gostava de a ver feliz! Ela é uma mulher que não nasceu do lado melhor da lua. Tem sofrido muito e continua a sofrer enquanto luta para ser feliz. Já eu sou um homem de sorte, e quando pensava que a vida tinha terminado para mim e que lutar já não valia a pena, eis que surge uma mulher que não me chamou a atenção, mas que acabei por descobrir por baixo daquela capa de "santa" Teresa de Calcutá, uma "serpente  venenosa" que dá mordidelas que enibriam e nos conduzem a um estado letal de amor profundo. Adoro sentir a sua mudança de pele, suas dentadas que marcam e me injectam um sabor doce de um prazer escondido.
Carlos Alberto

27 de Junho 2011 (Miratejo, 23:55h)

"Dia de cão"

Era uma vez um cão que ladrava, ladrava, mas parece que ninguém o ouvia. Ele uivava, esperneava, fazia-se sentir, mas ninguém lhe ligava nenhuma. Se abanava a cauda todos vinham fazer-lhe festas, se rosnava ninguém se interessava por ele. Coitado do pobre cão que nem se passando por gato conseguia saltar sobre as secretárias, enfiar-se dentro dos armários, esfregar-se nas pernas das mulheres. E, de repente, tudo parece ir abaixo. Cães, gatos, ratos, baratas, aranhas e pintassilgos anda tudo desvairado. Rua acima, rua abaixo, não há sombra que chegue, nem papéis suficientes. Letras de música, digo eu, para quem não conhece uma letra do tamanho de um palácio. De ignorância em ignorância, fuga para os lados, empurra, mais uma forcinha e eis que o sol se vai pondo, o ar vai se amenizando, as folhs já não caem, os cães já não ladram, os gatos espreitam desconfiados  por detrás das janelas e eis que chegamos lá. Restam os homens sentados nas suas poltronas a darem ordens de comando. Somos meros peões, animais de brega, foram-se os botões, os casacos, transpira-se com o calor que aperta. Não temos gravata, nem fato, apenas a humildade de reconhecer que fazemos o melhor possível e que somos poucos para tanto (que fazer). Melhor, melhor, só mesmo na farmácia. O trabalho rouba-nos o sono e parecemos cães a comer aquilo que nos atiram: ossos sem carne que comemos até ao tutano e depois sofremos com as maselas das cáries dentárias...
Carlos Alberto


Terminei aqui este trabalho de compilação. De notar que transcrevi os resumos tal como estão no Diário original e apenas com um ou outro acrescento (entre parenteses) para se perceber o contexto. Naturalmente que a esta distância poderia acrescentar aqui ou ali algo mais, mas preferi não o fazer. Também saliento algo importante que é a forma como escrevo os Diários, isto é, sem recorrer a rede, ou seja, os resumos são manuscritos e se o "português" estiver gramaticalmente incorrecto, não posso fazer nada. Inúmeras vezes me acontece que começo a escrever e, se pudesse volar atrás já não escrevia como escrevi, mas de outra forma. É aquilo a que eu chamo escrever "sem rede", como um trapezista: se falha estatela-se no chão, sem apelo nem agravo. É o risco de continuar, ao longo de mais de 40 anos, a manuscrever as páginas do meu Diário.
Carlos Alberto 

domingo, 10 de junho de 2012

AMOR

Estou hoje aqui não por causa do 10 de Junho, mas porque tomei uma decisão difícil. E difícil, mas apenas para mim, porque vivo intensamente a vida. Tenho consciência que esta decisão nos outros não terá nenhuma repercursão.

Caí uma vez, tentei levantar-me, consegui, ainda que continue com as cicatrizes provocadas por essa violenta queda.

Caí agora de novo, estou de rastos, mas ciente que tenho que me levantar, ciente das minhas responsabilidades e que a vida não acaba aqui.

Olho para o lado e vejo todas as pessoas rodeadas de gente, de amigos, em convívio, pessoas a conversarem umas com as outras. Eu, no entanto, olho para mim e vejo-me sozinho, sem amizades, sem alguém para conversar, com quem me sinta bem e feliz. Alguém para sair, que eu ame, que me ame, mas com quem me identifique e possa partilhar o quotidiano. Não tenho.

Sim, tenho filhos, tenho irmãos, mas eles estão nas suas vidas, pouco mais se podem interessar por mim. É normal, e nem eu lhes posso exigir mais do que me dão.

Contudo, aqui chegado, sem amizades, sem expectativas quanto ao meu futuro, acabo por tomar uma decisão que me magoa, mas que, como no tempo dos romanos que pela sua honra os homens se suicidavam, também eu, salvo as devidas proporções, me suicido, à minha maneira.
Tudo isto para dizer que eliminei alguns "amigos" da minha página do Facebook.

Só isso? Só. Mas acreditem que para mim foi uma decisão muito difícil. Uma decisão que só a tomei para me sentir mais longe de um sofrimento que eu próprio induzi em mim mesmo, desligando-me assim desse laço umbilical de quem perdi e de quem gosto.

Deixo então para trás pessoas que me deram muito no sentido do que experenciei, e uma vivência que apesar de difícil pelas adaptações que fiz, aos meus princípios, à minha forma de vida, me transmitiram, no entanto, sensações de amizade e confraternização únicas.

Mas tudo o que fiz, fi-lo por amor, não obrigado nem imposto, ninguém tenha dúvidas disso. Gostei de tudo o que fiz e por quem fiz. Foi bom o que vivi, aprendi muito, senti coisas que nunca sentira antes e até comecei a ligar-me aos animais (cães e gatos) com os quais também aprendi a gostar mais e a relacionar-me com eles.

Enfim, tudo na vida fiz e tenho feito por amor, embora, até agora, só tenho perdido com isso, com a mania de ser honesto e dar tudo de mim aos outros. Mas obviamente, não estou a fugir às minhas responsabilidades, nem a dizer que sou um santo. Conheço as minha limitações e que não sou um modelo de pessoa para ninguém. Tenho imensos defeitos, sou um fraco e, portanto, não estou isento de culpas dos erros e fracassos da minha vida.  Só a mim me responsabilizo.

Finalmente dizer que esta minha postura, face à vida, às amizades, face ao meu carácter e forma de vida, me trará algo de que me poderei "orgulhar" que é: quando eu morrer pouco impacto terá a minha morte e poucos serão os que sofrerão com isso. Não haverá ninguém para lamentá-la e poucos serão os que terão estima por mim ou a quem o meu desaparecimento faça alguma diferença. No meu funeral estarão meia dúzia de pessoas (e serão mesmo seis, não mais: quatro a segurarem o caixão e duas que serão o padre, que dirá a missa de corpo presente, e um familiar próximo, que não consigo vislumbrar daqui, mas que será aquele que (me) vai reconhecer o corpo e dizer "sim é ele").

Beijinhos, fiquem todos bem e como disse Raúl Solnado, "façam o favor de ser felizes".

Carlos Alberto


sexta-feira, 8 de junho de 2012

entorse

Bom, aqui estou de novo, melhor fisicamente, mas pior em termos psicológicos.

De facto, estou praticamente recuperado do entorse que fiz. Já ando, já saio de casa, custa-me ainda a colocar o pé naturalmente no chão, mas pelo menos já não tenho que andar ao pé-coxinho. Estou melhor e isso para mim já é bom.

Mas se fisicamente recuperei, psicologicamente estou de rastos.

Enquanto eu estive por aqui enfiado na minha tristeza de vida, lamentando "a sorte" que tenho tido, sem nenhum apoio específico, a vida parece que continua feliz e contente para muita gente de quem não tive uma única palavra e, claro que sentimos, e como quem não se sente não é filho de boa gente, há coisas que nos fazem que não matam, mas moem e, clraro, fiquei chateado...

Mas não me posso queixar. Tenho o que mereço, Sempre disse isso e não é agora que vou deixar de pensar desta maneira, Ninguém tem culpa dos meus erros, só eu. Eu é que não tenho sabido gerir a minha vida e, portanto, o único culpado sou eu.

Uma palavra final para a minha filha Cláudia que me deu e tem dado todo o apoio possível.

Agora é olhar em frente porque o que está para trás está para trás e para a frente é que é o caminho.

Sim, continuo desempregado, mas tudo se há-de arranjar; não é esse o meu maior problema, o meu problema é a solidão e a falta de AMOR de alguém que eu mereça.

Carlos Alberto 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Magoado

Depois de envergonhado, magoado. Infelizmente, na verdadeira acepção física da palavra.

De facto, quando passeava neste sábado, com a Celina na zona de Belém (ia ver a exposição "world press photo") aconteceu-me o inesperado: coloquei mal o pé no chão por causa de um buraco (mais um) na ciclovia que me preparava para atravessar e fiz uma entorse no tornozelo. Nem liguei importância e continuei a andar. A certa altura, no entanto, comecei a sentir-me incomodado e quis olhar para a zona afectada. Estava sentado num maple de madeira com umas almofadas no "Amo-te Café" e quando olhei para o tornozelo reparei que tinha um enorme inchaço, parecia que o osso me saía da perna. Fui logo pedir gelo no quiosque do café e logo ali ataquei o problema. A Celina que tinha ido ao WC nem se apercebeu de como eu estava, de tal forma que comecei a sentir suores frios, a ficar enjoado e mal disposto e acabei por desmaiar; ela pensou que eu estava a brincar. Estive, segundo ela, menos de um minuto desmaiado. Diz que começou a chamar por mim quando me viu tombado sobre as almofadas do maple e eu, que já estava a sonhar, provavelmente despertei com os seus chamamentos.

Ficou muito preocupada quando teve consciência da realidade, porque não sabia que fazer, e achava que eu devia chamar o 112 para ir ao hospital. Pedi-lhe que tivesse calma, que eu ia recuperar, E assim foi. Lá fomos para o São Francisco Xavier e lá fui atendido. Tensão muito alta, coração normal e entorse ligeira do tornozelo direito. A exposição, obviamente, ficará para a próxima.

Não dei muita importância à lesão, até ontem que deixei de conseguir andar. Agora não posso sair de casa e não tenho as canadianas de que preciso para me deslocar nestas próximas duas semanas. (que sorte estar desempregado...).

Vamos ver como vai ser a recuperação.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

ENVERGONHADO


Infelizmente a nossa vida não é só riso, felicidade e coisas boas. Há momentos difíceis que somos obrigados a viver e, por uma razão ou por outra, todos nós passamos por coisas boas e coisas más durante ela. Evidentemente que haverá escalas ou graus de dificuldades: aquilo que é difícil ou grave para mim, outra pessoa terá um conceito diferente e ultrapassará isso sem dramas. Mas uma coisa é certa “o bem” não é igual para todos e a riqueza está mal distribuída. A nossa mentalidade, talvez por razões históricas, é a do “desenrascanço” e somos uma sociedade onde o “chico esperto” sobressai e se safa sempre. Mas quanto a mim só temos três caminhos a seguir:

- ou já nascemos num berço de oiro e estamos safos porque é só gerir o legado que nos deixaram;

- ou temos que ser fortes e determinados e ir para a luta, fazer pela vida, lutar por um lugar ao sol, estudando, aprendendo, crescendo e evoluindo garantindo assim a nossa estabilidade para que amanhã não precisemos dos nossos filhos para nos sustentarem;

- ou então, a via mais fácil, que é tentarmos ser mais espertos que os outros, enganando aqui e ali, contornando a lei  quando é preciso, vigarizando a sociedade, ser político, ou ladrão, porque aquilo que vemos é que vivemos numa sociedade onde o crime compensa (se formos ricos).
Dito isto, aquilo que me impulsionou a escrever este manifesto foi a vergonha pelo que aconteceu no 1º de Maio em Portugal. E não estou a falar da efeméride que deveria ter sido o tema deste dia tão importante internacionalmente, mas de algo grave que aconteceu e merece uma reflexão.
Será que os nossos políticos não enxergam o que esta manifestação exacerbada de corrida ao Pingo Doce expressa?

Para mim só tem uma leitura: a miséria e o desespero em que as pessoas vivem. Faz-me lembrar um jogador numa máquina do casino, sempre à espera que a sorte lhe bata à porta e que gasta o que tem e o que não tem para tentar obter aquilo que nunca terá. Quantas pessoas não terão ficado sem dinheiro para o resto do mês só para aproveitar aquela campanha de desconto? Aquela corrida desenfreada ao Supermercado revela tão só o grau de dificuldade em que as pessoas vivem e traduz a paupérrima realidade do que somos neste momento e é, dramaticamente, o espelho do nosso país.
Eu próprio, olho para mim e, em quase cinquenta anos de trabalho ininterrupto, faço hoje parte das estatísticas dos 15,3 % daqueles que não têm trabalho neste país. Ao longa da minha carreira, quando deixei um emprego no dia seguinte já estava noutro. Agora não. Será isto normal? É neste clima que querem recuperar Portugal?

Tenho muitos receios quanto ao futuro dos meus filhos, embora ainda acredite que um dia aparecerá alguém, um Messias”, que terá uma ideia luminosa e que erguerá este país. Uma espécie de Mourinho da política que no campo terá um Cristiano Ronaldo para resolver. Acho que temos muitos jovens muito bons e promissores, somos um país que já se ergueu das cinzas e que já descobriu mundos, portanto há que ter fé, não para mim que já não espero nada nos anos que me faltarão.
O que espero e desejo é que esses jovens de hoje não sigam os exemplos dos actuais órgãos máximos da nação que, também eles começando do nada, não nos mostram hoje, com os seus exercício de poder, nada de bom e encorajador para o nosso país.  

Carlos Alberto 3-Maio-2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SENTIMENTOS


Miratejo, 19 de Abril de 2011 20:30 horas

Um sonho, uma vida cheia de nada. Um passo em falso, uma ilusão sem destino. Um dia para sorrir ou chorar, uma canção para esquecer. Um passado histórico sem um final feliz. As estrelas desapareceram do céu, as nuvens invadiram o meu quotidiano. Já não há crianças a sorrir, brinquedos espalhados pela sala, nem sequer o choro delas a implorar o sono. Partimos. Apenas há um vazio, uma lágrima que desaparece do canto do olho, uma mágoa que nos trespassa o coração. O amor deu lugar ao ódio, o sorriso ao choro. No rosto a palidez de um moribundo, as pernas fracas e magras parecendo palitos. Os braços esqueléticos, informes, sem magia. As mãos, vazias de nada, como areia que se nos escapa por entre os dedos. A manhã está fria e a noite envergonhada. Não há pão na mesa e a lareira está apagada. A toalha está manchada de desgosto e o vinho bolorento no fundo da garrafa entornada sobre a mesa. No tecto um candelabro apagado. Uma vela junto à janela no parapeito frio arde de dor numa chama fugaz que quase se apaga. Não há limpeza, e pelo chão sobram migalhas ressequidas de um pão quente de outrora. Os meus filhos já morreram. Minha mulher já morreu. A casa está negra de tanto arder. Nem sequer há vento. No ar uma paz podre de algo que se esqueceu para trás. Não há nada, nem paisagem, senão um muro grande e alto com tijolos de barro aqui e ali à vista pela corrosão do tempo. Um vulto negro avança pelo ar como que esperando um último estertor. Estou já frio, vou morrer também.
Carlos Alberto

Nota: Esta é apenas uma página do meu Diário que faço há mais de quarenta anos e é a primeira que transcrevo para o computador. Tem para mim um significado especial por isso, e pelo facto de ser neste dia. Traduz a minha dor, por tudo o que vivi e que senti e vale o que vale.
(este resumo é mesmo de 2011)

terça-feira, 17 de abril de 2012

Escorpião, mas não apenas...


Escorpião, mas não apenas…


Hoje venho aqui só para deixar uma curiosidade que muito me apraz registar e que de certa forma explica um pouco quem sou e porque sou como sou. Afinal tudo tem uma razão de ser.
Aqueles que me conhecem acham que sou uma pessoa muito romântica e apaixonada, extremamente sensível e fogosa. Muito mulherengo e de certa forma galanteador pelo estilo de sedução que me caracteriza, perante as mulheres, dizem que sou um perigo. Ok, só bocas e muita inveja...
Descobri agora que afinal todas estas características que me apontam (e me acusam) se explicam não apenas porque sou de um signo muito quente e que vive intensamente as relações - que se manifestam com fulgor muita plenitude e vontade - mas porque nasci em 1953, imagine-se esta, no mesmo ano que a revista

e que por sinal, teve como figura de capa nada mais, nada menos, que esse símbolo mítico de mulher de incontornável de beleza, mistério e sedução que foi Marilyn Monroe.
Assim se explica, portanto, que é daqui que vem esta minha apetência para uma vida sexual muito activa (isto antes da andropausa, claro) e para as mulheres bonitas.

Face a estes pressupostos, declino a partir de agora quaisquer responsabilidades a mim atribuídas e prova-se que não tive culpa directa no assunto e trata-se apenas de uma questão congénita ao qual fui totalmente alheio. Entendido agora?
PS: O meu pai é que será certamente responsável… e, em última instância, a minha mãe, que se deixou ir na conversa dele.

Carlos Alberto 16-04-2012

Nota: este artigo não teve (infelizmente) o patrocínio da  
 mas tem todo o meu apoio

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Yannick Djaló o injustiçado


Yannick Djaló o injustiçado
 Pergunta: Viram o último jogo do dérbi da capital? E viram tudo? E de que assunto mais se falou, escreveu, comentou e publicou?

Resposta: Do penalti que não foi marcado a favor do Benfica, logo no primeiro minuto e que, de facto, aconteceu, que toda a gente viu, incluindo o árbitro e que não foi marcado!

Análise: Obviamente!
Explicação: Sim, porque “o árbitro viu e se não marcou foi porque não quis, não foi porque não viu”, parafraseando esse ilustre e grande treinador que é Jorge Jesus, nomeadamente, de outro lance, de outro jogo e do qual também tem razão.

Meandros: Mas não estou aqui para defender o Benfica, nem o seu treinador, nem para culpar ninguém do que quer que seja, a não ser os adeptos do Sporting…
Pergunta: Os adeptos do Sporting? Porquê? O que é que isso tem a ver?

Resposta: Porque foram muito injustos, durante o jogo, mas para com o nosso querido e ex-leão Yannick Djaló…

Análise: É verdade, se repararem bem, o Djalózinho não merecia aquele constante coro de assobios! Aliás ele só não jogou menos porque se sentiu injustiçado pelos antigos adeptos… (???)

Meandros: Então vejamos; vi o jogo, pela televisão num café (isto está mal e não dá para ter Sportv em casa) e apesar da confusão fui capaz de reparar num pequeno detalhe, de algo que aconteceu e que terá passado despercebido à maioria daqueles que, como eu, viram esse grande jogo Sporting Benfica.

Sugestão: Pensem lá um bocadinho, bem vistas as coisas, tentem rever os lances duvidosos, as faltas, o(s) critério(s) do árbitro, as táticas, os jogadores, os treinadores, o público fantástico, a inexistência  de “jaulas”, olhando para todas as incidências da partida… só há uma coisa que ninguém referiu que nos leva a uma questão:

Pergunta: o que é que aconteceu que terá escapado a muita gente, nas notícias, nos destaques, nas imagens televisivas, na qualidade do jogo, no espectáculo?

Resposta: O detalhe!

Explicação: O detalhe. E é por isso que é de real importância que eu faça aqui a minha grande homenagem, como adepto fervoroso do Sporting, sócio há 39 anos, para com esse grande ex-jogador do nosso Sporting e que se chama Yannick Djaló… (???)

Pergunta: Já é tempo de pôr a nu a resposta (e, infelizmente, depois de muita pesquisa não consegui obter essa imagem que ilustra este momento, o tal pequeno detalhe), que foi: alguém reparou no momento em que o Yannick entrou no jogo?

Resposta: Pois é, o nosso querido Yannick assoou-se duas vezes à camisola do Benfica, como querendo dizer-nos, indirectamente, “sportinguistas, estou convosco; esta camisola só serve para isto, para me assoar a ela… hehehe!!!

Conclusão: o Yannick não mereceu aqueles assobios.

PS: Para os benfiquistas digo que estou a especular e a brincar com o significado daquele gesto, mas lá que ele se assoou, assoou. Se alguém conseguir as imagens… faça a sua análise e tire as conclusões... eu fiz a minha!


Carlos alberto 12-04-2012.

 

terça-feira, 10 de abril de 2012

ESTÁTUA  DE  BRONZE

Boa tarde, meus amigos

Depois do êxito que foi nesta última semana, desde que publiquei, quer a minha estória o "Reino onde não foram felizes para sempre" e o "deixem-me trabalhar" e depois o "aditamento ao trabalho", em que tive milhares de visitas ao blogue, pronto, não foram milhares, foram apenas umas centenas, em que comentários não tive nem um, mas julgo que por vergonha de quem leu que não consegue responder ao mesmo nível da qualidade literária, (...) eis que tenho aqui outro texto, embora com barbas , mas que considero igualmente muito bom e que não merece ficar guardado na gaveta.
Pronto, não foram centenas de visitas a este blogue foram só umas seis dezenas ... sim e foram 3 dos amigos e o resto minhas, ok?!, está bem assim?. De qualquer maneira não vou desistir tão facilmente por falta de apoio, nem perder o ânimo só por isso. Acredito que um dia estas páginas serão descobertas pela pessoa certa e eu vou ter o êxito que mereço... (vais vais...)
Posto isto, 
"Estátua de Bronze"
- Bom dia! Disse-lhe ele naquele tom e olhar feliz, de sorriso rasgado com a ênfase de quem está de bem com a vida.
- Está tão bom aqui fora, não está?! Acrescentou ele a afirmar-se de forma positiva pela satisfação que sentia.
- Estou tão contente por estar aqui a falar contigo! Disse-lhe ainda, apesar do continuado silêncio.
Um cheiro a perfume de flores inalava em seu redor: como com o prazer de quem está no cimo de uma montanha e contempla extasiado a paisagem.
- És linda, sabias?! Já te tinha dito? Perguntou-lhe ele pela milionésima vez, ainda à espera que ela lhe retribuísse com o sorriso de outros tempos.
- Gosto muito de ti! Insistiu ele, na esperança de que ela, pelo menos, desviasse o olhar para ele.
Mas ela continuava hirta e indiferente aos elogios na sua eloquente postura de quem é adorada por muita gente. Seu rosto não transparecia um único reflexo; alta imponente no seu pedestal de admiração ia contemplando o mundo a seus pés.
Mas ele não desistiu, não se foi abaixo com a indiferença dela e continuou, como sempre fazia, o seu inflamado discurso, ainda que de sentido unilateral, não correspondido.
- Bom, sei que não serei o teu melhor admirador, aquele que trata melhor de ti, com o carinho que necessitas, que te oferece as mais bonitas flores, mas dou-te o que tenho de mais puro, o amor das minhas palavras que brotam do meu coração…
Ela, fria como a manhã, à espera que o sol a aquecesse, deixou-se pousar no cabelo solto ao vento por uma pomba que veio ao seu encontro. Pareceu sorrir-lhe, satisfeita pela manifestação de confiança que recebia daquela ave vinda do céu. Pelo menos foi a sensação que ele teve e sentiu-se, de repente, insignificantemente desprezível e só.
O sol despontava a oriente vermelho, redondo, deslumbrante na sua força de Verão e reflectia-se-lhe no rosto da sua contemplação, espelhando ela a altivez de uma rainha, a coragem de um guerreiro e a serenidade e a beleza de uma princesa. Admirava-a por isso.
Olhou-a pela última vez, beijou-lhe os pés (que era o ponto onde ele conseguia chegar-lhe) com a ternura de quem beija uma criança acabada de nascer e seu olhar turvou-se de cansaço dos anos em que diariamente fazia aquele ritual no percurso pelo jardim onde aquela estátua de bronze se erguia de postura altiva a confiante de olhar infinito, indiferente aos sentimentos.
O sonho tornara-se um pesadelo, afastou-se e chorou até a mortalha o envolver.
Carlos Alberto 27-05-2010
 

sábado, 7 de abril de 2012

ADITAMENTO AO TRABALHO


Quero aqui, antes de mais, penitenciar-me da minha falha que considero grosseira por me ter esquecido dessa figura ímpar do panorama hilariante português (no bom sentido, diga-se), desse homem notável, de uma altura e desenvoltura de que poucos se podem orgulhar e nem eu, que tenho um metro e oitenta e oitenta quilos de peso, consigo ter.

Estou a falar desse grande homem que não se mede aos palmos, mas às colheres de graça que ele tem: como é que ele se chama mesmo que não consigo lembrar-me? (esta minha idade, quase na reforma, já não me ajuda nada), mas sei que é muito conhecido e até entrou naquele programa “o último a rir”, ou como é que se chamava mesmo “a sair?”, uma coisa assim, não era? Pois, estou mesmo a falar do Bruno Nogueira. (Ninguém vai acreditar, mas tive mesmo que ir ao Google porque, desculpa Bruno, o nome não me saia).
É verdade Bruno, não falei no teu nome, como uma daquelas pessoas nomeadas por mim para eu pedir ajuda e solidariedade, mas tu tás cá, na minha amizade, na minha lista principal (tenho uma lista suplente, tipo plano B, mas não digo para não ferir susceptibilidades).

Isto é um pouco como as festas de Natal nos Hospitais, participamos graciosamente por solidariedade, não é para aparecer... E tu não sabes, mas eu sou teu amigo, acredita Bruno. Não sei se tens página no facebook, mas se tiveres também vou fazer lá um “gosto”, fica prometido, ok?
Dito isto, este aditamento, perfeitamente justificado e imperioso, é apenas para dizer-te, Bruno, que também és uma daquelas pessoas de quem facilmente gostamos, sobretudo se não estivermos muito perto. De facto, imagino a Maria Rueff a olhar para ti, ou a Dina, ou uma outra miúda qualquer que tenha um metro e cinquenta sempre a olhar para cima, deve ser muito desconfortável e para apanhar torcicolos deve ser muito fácil. Todavia, manter uma conversa contigo, sentado, deve ser muito bom e já não acho tão penoso. Portanto, se estiveres disponível ou quando puderes, diz que sim, que eu vou ter contigo para tu não perderes muito tempo. Falamos, tratamos da tua solidariedade, arranjas-me trabalho, nem que seja a divulgar a minha perseverança de chegar quase aos sessenta e querer ainda armar-me aos cucos, ou seja, achar que serei capaz de escrever umas graçolas para o pessoal rir e pronto, está feito.

Passei a vida nas obras a assentar tijolos e, agora que fiquei desempregado, comecei a olhar para estes putos que acabaram de nascer e que nem viram o 25 de Abril (e eu que até passei por ele) devo ter uma palavra a dizer, não?!

Mas sei que não é fácil, com a crise, os cortes nos subsídios, o Benfica fora das competições europeias, fazer rir as pessoas é obra. Mas aqui estou. A minha família já riu toda, agora só faltas tu. Que tal, há talento ou tenho que esperar pela próxima reencarnação?

Mas quanto àquele assunto, Bruno, também tu fazes parte do meu grupo restrito de pessoas de quem gosto. Olha, por exemplo, ele nunca me fez mal nenhum e, no entanto, detesto-o sem saber porquê: aquele tipo que é do júri dos Ídolos, aquele mal-encarado de quem ninguém gosta: esse, o Manuel Moura dos Santos. No entanto, por ti não tenho esse sentimento; acho-te um tipo simpático, muito alto, sim, mas simpático, como um filho que gostaria de ter, tás a ver?.

És, no entanto, e apesar de tudo, um tipo de pessoa que não inspira muita segurança. Não a mim, claro, mas é o que ouço. Isto porque tens umas pernas muito fininhas e isso não dá aquela confiança que uma pessoa precisa para gostar mesmo muito da outra. Vê, por exemplo, o caso das miúdas que gostam de ver futebol e que vão à bola sem perceberem nada de táticas: é para verem as pernas dos jogadores, não é para os verem jogar, que para isso estamos lá nós.
Foi por isto Bruno que pensei numa primeira instância mais no RAP, do que em ti, ele tem melhores pernas que tu. Mas aqui estou a corrigir o erro e a dizer-te que também és fixe e que penso que não sou da altura que tenho, mas da altura que penso, penso eu.

Fica bem enquanto eu espero… sentado.

Carlos Alberto 05-04-2012

PS Desculpa tratar-te por tu assim à primeira, mas sabes como é, é a tua presença que nos inspira muito à vontade, visto pela televisão.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

DEIXEM-ME TRABALHAR


Hoje resolvi vir aqui fazer um apelo de solidariedade. Será uma espécie de carta fechada ao actor Ricardo Araújo Pereira de quem eu sou, com mais cerca de pelo menos cinco, seis milhões de portugueses, um fervoroso adepto (não estou a incluir as crianças com menos de cinco anos, nem aqueles que não têm ou não vêem televisão).

Foi um assunto que eu ponderei muito bem e, por exemplo, não pensei no Herman e pensei no Ricardo. Mas se o Herman me estiver a ler, oh Herman, acho-te fantástico!!!, não ficas a dever nada ao RAP e, se calhar nalguns aspectos até és melhor, mas… pelo menos lembrei-me de ti, anota isso, ok?.

Mas porquê uma carta ao RAP e não ao Governo ou ao Presidente da Nação, ou ao Cristiano Ronaldo ou mesmo ao Mourinho?
Essa é uma boa pergunta, mas se não resultar com o Ricardo reenvio para o CR7 e se não der também com ele, vou a deus, ou seja, vou dirigir-me ao grande José Mourinho (nem que seja porque vivo no distrito de Setúbal de onde ele é natural). O que é que isso tem a ver?, mais à frente se perceberá, mas eu explicarei, não vale a pena pensar-se que vou pôr aqui alguém a esforçar-se muito com raciocínios elaborados ou subterfúgios muito esquisitos. Eu sou um homem simples, da cidade, sim, mas simples. Um homem que não despreza a vida do campo nem das vacas, mas que gosta muito da cidade, com ou sem leite.

Mas a pergunta era: porquê o RAP e não as outras grandes vedetas portuguesas e mundiais ou mesmo aos órgãos do Estado?
A questão é simples: o Ricardo é uma pessoa mais humilde, está ainda cá um pouco em baixo e ainda precisa de angariar protagonismo (sim, eu sei que está em duas rádios nacionais, que tem recusado convites, que não lhe falta trabalho); mas por outro lado, o Ronaldo e o Mourinho já não precisam de fazer solidariedade: já têm a sua conta e não vão ligar nenhuma ao meu apêlo. A probabilidade que tenho de sucesso com eles é muito menor (nem percebo nada de futebol).

O Ricardo, não, está agora a balançar-se, está a ter algum êxito (em Portugal e no Brasil) e vai querer saber a minha história e vai, com certeza, senão ajudar-me, dizer-me, com franqueza, o que posso fazer e por onde devo ir. Ele é jovem, mas sabe muito!
Com esse seu simples gesto, qual pena soprada ao vento, vai querer contribuir de forma decisiva para a prossecução do seu sucesso, (ele ganhará notoriedade e pelo menos mais uns seis ou sete “gosto” (meu, da minha família e de alguns dos meus amigos) na página dele no facebook) e crescerá a nível social, naquilo que diz respeito à solidariedade, nomeadamente, no que diz respeito ao ajudar os outros, aqueles que precisam, como é o meu caso e isso fica muito bem a qualquer figura pública, como é o RAP.

Acho que ir aos hospitais, às escolas é importante e um gesto bonito, mas ajudarmos um estranho, alguém que nunca vimos nem mais gordo, nem mais magro é um gesto muito nobre e relevante: “ajudar alguém sem olhar a quem”… (por acaso é a mim, mas pronto).

E quanto aos órgãos do Estado, isso está posto de parte. E está fora de questão, porque se lhes vou pedir ajuda ainda me cobram algum imposto ou uma taxa especial relativa à mais-valia de me socorrer aos fundos do Estado. Além disso ainda posso ser incriminado por tráfico de influências e ainda tenho que pagar por, numa altura de crise como esta, estar a querer subverter o estado da economia sustentada e a contribuir de forma acintosa para o agravamento do défice. Portanto, isso eu não quero, não quero passar por essa vergonha, e vou pedir ajuda a quem pode, a quem tem inteligência suficiente para ser capaz de sorrir, digo chorar, destas minha palavras e não socorrer-me de um governo austero que hoje diz uma coisa e amanhã diz outra.

E eu até poderia ser enganado e dizerem-me que sim hoje, que sim senhor, que trabalho não têm (já têm motoristas e secretários ou adjuntos a mais), mas que eu teria uma subvenção vitalícia qualquer. Mas depois, no dia seguinte ainda me mandavam à fava, que era um malandro e coisas desse género ou arranjavam uma justificação capciosa, como por exemplo, “Desculpe lá mas o dinheiro já não dá para si porque nos surgiu uma despesa com que não estávamos à espera, nomeadamente, pagar a multa de excesso de velocidade de Mário Soares que disse que o Estado é que pagava”. Realmente coisas que não lembraria o diabo. E eu teria que entender e meter o rabo entre as pernas, como de resto, já tenho.
Posto isto, acho mesmo que o Ricardo é a pessoa certa. E porquê? Porque temos várias coisas em comum, temos várias afinidades, senão vejamos:

Primeiro, ele é alto como eu. Ele sabe escrever bem e eu também sei escrever. Ele tem mais de trinta anos e eu também, quase o dobro. Ele é Pereira e eu também (será que não somos da mesma família? Dava-me um jeito do caraças…). Depois ele é Ricardo e tenho um filho com o mesmo nome (esta é boa!) e depois ele é inteligente e eu não (como os contrários se atraem aqui funciona essa lei). Outra coisa que temos em comum e esta é talvez a mais relevante é que somos SEMPRE RIVAIS: ele é do Benfica e eu sou do Sporting, embora tenhamos estádios na mesma rua. Por fim, Ele não acredita em Deus e eu estou quase a chegar lá. Se o Ricardo me ajudar, foi Deus que me pôs no seu caminho e conseguirei provar ao Ricardo que ele está enganado, senão estou eu (vamos ver quem tem razão?).

São pois estas questões que me puseram em rota de colisão com o grande Ricardo Araújo Pereira. Será que eclodimos um com o outro? (veja os próximos textos neste blogue, um blogue para me servir e servir a COST.

Ao contrário do que parece à primeira vista a COST não é uma organização lucrativa, mas é apenas a sigla de Comunidade Oportunista e Solidária dos Tristes, (embora haja quem nos chame de Trastes, vá-se lá saber porquê). Já agora fazem parte desta recente comunidade pessoas como o meu pai e minha mãe, (já falecidos), como sócios honorários, os meus três filhos, um meu vizinho e quatro amigos meus, embora um deles esteja no estrangeiro e conto, se quiser aderir, com o seu apoio para fazer parte desta comunidade que nasceu cheia de força anteontem, quando eu pensei, quando estava a lavar os dentes, em fazer este texto.

Aqui chegado só me resta dizer que gostava de conseguir algum protagonismo na minha vida que se está a apagar. A questão é (assim de chofre, toma), se o Ricardo me arranja trabalho? Sei lá, limpar os vidros do escritório, da casa (sou uma pessoa asseada), levá-lo de manhã de carro ainda a dormir à radio, também moro na margem sul (e assim sempre descansa mais um bocadinho), ler as cartas (longas como esta que dão um trabalhão enorme a ler e sempre posso fazer a selecção do que interessa), ler em diagonal os livros para um sketch qualquer em que não tem que fazer figura de que já os leu), ou mesmo os e-mails que recebe, assinalar e separar as facturas dos recebimentos, por exemplo; levar os filhos à escola (sou muito responsável e também tenho dois filhos como o Ricardo). Enfim, sei que não sou bonito, nem larilas, que tenho quase sessenta anos, mas queria ainda ser útil, agora que estou desempregado e à procura do primeiro emprego (e repare que não disse do primeiro trabalho). Veja-me lá isso Ok?!
Finalmente desvendar aqui a questão que atrás deixei em aberto no quarto parágrafo linhas quatro e cinco da página número um e que se prende com o facto de relativamente ao Mourinho, temos em comum, o facto de termos residência fiscal no mesmo distrito, o que já é uma aproximação e uma afinidade. Teremos outras, mas não é hora para isso. 

Mesmo finalmente, para finalizar mesmo (porque está a faltar-me a tinta, só por isso) o CR7 aparece aqui referenciado porque tenho um filho parecidíssimo com o Cristiano, mas só mesmo de aspecto e que eu bem podia ter tido a sorte do meu Ricardo ser o Cristiano (agora não tinha que andar por aqui a pedinchar a ninguém). Mas fica atento Ronaldo que pode ser que se o Ricardo não me ligar nenhuma, sempre te darei a oportunidade de “fazeres bem sem olhar a quem” (e pode ser a mim, nem imaginas o quanto isso me faria feliz!!!).

PS: Depois desta conversa toda, o que sobra é um texto que considero uma carta fechada. E porquê? Porque, estupidamente, não a vou enviar a ninguém. Ficará aqui na minha página do blogue à espera que alguém a abra e depois, então, sim, depois de encontrada será uma carta aberta, ou seja, é uma espécie de carta que fizemos e à qual ainda não pusemos o sêlo, ou então, uma outra figura de estilo que aqui se adapta bem que é, ter um boletim do euro milhões com os números certos e não o registarmos.  Será que há jackpot esta semana e ainda vou a tempo?
Carlos Alberto  05-04-2012