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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

poesia avulsa

Por nenhuma razão especial, digamos que apenas por uma questão de timing (e como há muito que não publico nada), vou juntar nesta mensagem alguns poemas que escrevi há já alguns meses e que resolvi agora colocá-los aqui.

 "ÁPICE"
Por momentos senti-me assim:
Acordava e sorria com o sol a invadir-me a alma.
Depois o céu encheu-se de nuvens e, num ápice,
um temporal abateu-se sobre o meu jardim:
As flores murcharam, espezinhadas pela violência da chuva
e eu fechei-me nas sombras do meu quarto.
Deitei-me e cobri-me de medo sob cobertores de ilusão.
 
"DEFEITO"
Revelei-te um segredo meu. Algo de muito mau,
daqueles, tipo, “ela vai fugir de mim”, meu Deus!!!
Hesitei em falar-te dele (assunto sério),
difícil de exprimir em palavras,
porque é defeito de homem.
Nem esperaste um segundo:
olhaste-me nos olhos e disseste
com toda a naturalidade do mundo:
mas qual é o problema?! Eu ajudo-te;
porque só me interessa o amor que te tenho.
Abraçaste-me, beijaste-me e, nesse momento,
senti-me um homem abençoado,
socorrido por um anjo.
Deitei a minha cabeça na almofada,
aconcheguei-me a ti e adormeci a teu lado
com um pensamento: Amo-te mulher.
 

"GOSTAVA"
Gostava que as minhas palavras
tivessem o condão de se transformarem em carícias
e cada letra pudesse ser um beijo dado devagarinho.
 
Gostava que o amor que me transmites
pudesse ser uma aragem fresca
que sopra num entardecer junto ao mar.
 
Gostava de te dar o meu mundo para sorrires,
sentires a paixão do momento
em que o sol se esconde na linha do horizonte.
 
Gostava que aquilo que sou
pudesse ter o poder e a magia
da onda que calmamente chega a praia
e em espuma se espalha pela areia.

Gostava de caminhar descalço
pela borda dessa maré baixa,
molhando os pés contigo a meu lado.
 
Gostava tanto de escrever AMO-TE, na areia,
em letras que pudessem ser lidas da lua.
 
Gostava de ter força, ser forte e ser capaz
de te proporcionar uma viagem até às nuvens
e saltitar contigo de uma para outra,
como duas borboletas enamoradas,
sem medo das vertigens.

Gostava, gostava tanto de te ter aqui.
 
 
"FELIZ"
Faltam-me palavras, sobram-me as emoções.
Fico à espera das tuas no acordar,
mas não estás ao meu lado
para me dizeres: amo-te.
Porque és apenas uma sombra,
um vestígio na minha alma,
uma paixão contida
em que sorrio e choro no mesmo momento,
sem perceber as razões
porque o coração me implora por ti.
Quero-te na proporção inteira do teu ser,
contra quaisquer leis da gravidade
que me empurram para baixo,
se quero ir para cima.
E, nesse momento, ouço-te,
num “bom dia” doce
de quem acorda, saída de um sonho delicioso.
Agora, sim, já tenho razões para sair à rua:
sorrir ao mundo, assobiar às plantas, ao mar, à natureza
e dizer (dizer-te a ti):
“que se houvesse hoje uma eleição
para os dez homens mais felizes do mundo, eu era um deles".
 
 
"ILUSÃO"
 
Acordei com um sonho maravilhoso
que me despertou naquela manhã,
como um sopro de amor
que me beijava o rosto, pela alma.

Quando abri os olhos vi-te
debruçada a olhares para mim e a sorrir.

E ainda a tentar perceber
onde terminava o sonho
e começava a realidade,
abracei-te, para não te deixar fugir.

Senti-te, totalmente,
como se o teu corpo
se fundisse com o meu,
se entranhasse em mim.

Beijei-te, no sonho, não sei.
Beijei-te, na realidade? Não sei.
Só sei que eras tu.
 
E no nosso amor me afoguei
feliz por te ter ali no acordar.
Acordar, é isso.
Tive que acordar
no vazio que me encheu de dor.
 
"POETA"
 
Eu sonhei um dia ser poeta:
desenhar palavras, inventar estórias
à janela de mim, com o coração,
olhando o vento a varrer as folhas
mortas pelo tempo.
 
E no outono da vida.
enquanto me seguro
a este verão que se me escapa
serei apenas com a caneta 
um mero sonhador pateta.
 
CA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 20 de agosto de 2017

PALAVRA


 
Palavra dita em clamor
Tantas vezes mal tratada
Há uma que elejo: AMOR
Palavra abençoada.
 

 

terça-feira, 25 de abril de 2017

COM OU SEM MAR


Quero ouvir os pardais, as gaivotas,
observar o oceano a beijar as margens;
quero sentir as aragens,
e também ouvir tua voz.
Sentir o teu cheiro, tua essência
perdida nesta concha de noz.

Navego à tua procura:
Escondes-te e não estás.
Rejeitas-me, ignoras-me,
ou não sou capaz.
 
Quero fazer poesia,
cantar, dançar com mestria;
como uma flor a abrir,
erguer-me para o teu abraço;
mas nem me deixas sorrir;
Sobra-me o cansaço.
 
Fecho-me, triste, derreado
na minha concha embrulhado.
Cubro-me com um lençol
de vergonha amarrotado.
Choro uma mágoa
da qual me quero libertar,
triste por te amar, sem me cansar.

Mas dói-me e tenho medo:
dos trovões e das farpas — credo!
Dos zumbidos do vento
que ecoam pelo espaço.
E no dilúvio das vagas
que me enrolam no cansaço
contra as rochas me tragas.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A terminar o ano, aqui fica uma poesia...

Folha

De pele enrugada,
Rasgada pelo tempo,
Pela intempérie vergada,
Ao sabor do vento:
Surge da minha alma
Uma folha
Que brota, como sangue,
Uma bolha:
Lágrima de vida, alada.
Escoa-se para a terra—
Pó, cinza e nada.

CA

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

25 de Abril 1974


Uma página do meu diário sobre o 25 de Abril (adaptada)

 “Pelo meu país”
 
Os foguetes ecoaram noite dentro,
na madrugada da libertação.
As vozes do povo ergueram-se
e cantaram a liberdade numa canção.
 
Uma nova canção nasceu,
seja em Grândola, seja em Lisboa,
pela nação como um hino cresceu
uma luta que não aconteceu  à toa.
 
Pela noite dentro e durante o dia fui soldado,
numa História que nunca se viveria
não fossem homens como Salgueiro Maia, idolatrado.
outra versão aqui se contaria.
 
Ainda me lembro naquela noite, acordado, em riste,
da parada para o anfiteatro em que nos disse:
”amigos, vamos salvar Portugal, acabar com a guerra colonial”.
 
Uma noite fantástica e memorável aquela,
No lastro de uma camioneta, bornal à fivela.
Rumo a Lisboa e pela madrugada afora,
ouviu-se no silêncio, de alegria contida
aquela canção soando a vitória,
perdido o medo do que valeria a nossa vida.
E de manhã, na aurora daquele dia,
nascia um país novo que por ele morreria.
 
As pessoas saíram à rua e os cravos espigaram
na ponta das espingardas, as armas se calaram.
Foi uma festa, uma alegria, a vitória dos oprimidos
sobre os opressores, contra os horrores vividos.
 
Acabaram os presos políticos.
Os contestatários foram libertados,
Perderam-se os preconceitos míticos
das cordas fomos desamarrados.
 
A minha pátria voltou a sorrir,
a minha voz voltou a ouvir-se,
injustiças vi dirimir
já não fui à guerra e vi-a a sumir-se.
 
Aqui e na minha terra, Santarém e no Terreiro do Paço,
a fera sucumbiu à luta e nem senti o cansaço:
 
Estive no Camões que se encheu de poetas,
esvaziou-se de ladrões e sucedeu-se de alertas.
 
Lembro-me das fardas da GNR, militares perfilados,
Eles até aos dentes armados;
eu imberbe, de arma na mão,
sabia o que fazia? não sabia, não.
Como reis para atacar-nos como peões;
Eles em parada preparados, e nós sem guiões.
 
Acabar com a guerra colonial?
salvar o meu país: Portugal.
E na fúria de vencer, vi o povo a meu lado erguer;
e o medo, o terror de morrer se perdeu:
o povo saiu à rua e a liberdade venceu.
 
Foi há quarenta anos, parece que foi ontem...
mas com tantos desenganos, por favor, nos soltem.
CA
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

MUSA

Peço desculpa por te incomodar,
E invadir tua privacidade
Dizer-te o que sinto e falar
Do que é a nossa realidade.
Conheço os teus medos,
Mas não sei teus segredos
Embora do que sinto, gosto
E será que no que aposto
Vou ter o que merecer?
És, sim, minha musa,
Meu desejo, mulher confusa:
Um sonho, talvez, em maré vazia,
Mas quem sabe, um dia...
Embarcarei em teus navios
Mar afora para sentir
O doce sabor e os arrepios
De um amor para parir.
CA

POETA FINGIDOR

Queres a poesia que sinto?
Queres a paixão de um poeta?
Queres a loucura de que não minto?
Queres a verdade concreta?
Queres viver um sonho
De palavras gastas, já escritas?
Ou acreditar nas encriptas
Formas de amar?
Nos sentidos diversos
De quem gosta do que diz?
Que te olha com a ternura
Que sente por uma criança
Numa incondicional aliança
Por quem olhamos, petiz,
Gostamos, protegemos
E que nos leva ao amor?
Queres a poesia que sinto?
Queres a ilusão da minha dor?
CA
Nota:(com alterações ao original)

ESCADAS

Subo as escadas contigo
É a primeira vez e não decido:
Deixo-me levar por ti
No teu sonho e dormi
Embalado nos teus barcos
Como embalo nos teus braços
E cheguei ao cimo e sorri
Do cansaço em vez do abraço
Que me apeteceu e não aconteceu.
Pretexto, talvez
Para lá voltarmos
Outra vez
Provavelmente com mais paixão,
levando-te pela mão.
CA

segunda-feira, 7 de julho de 2014

AMARRAS

amarras
As palavras perdem todo o sentido
quando te vejo:
e fico feliz só por estares
mesmo na distância de um meio metro
já não há palavras que valham
o ensejo
do momento de te sentir perto,
olhar-te e os meus sentimentos se calam
no desejo
do que é certo.

Errado: reclamas distância em tua defesa
e sobre minha dor acumulada
de mágoa e em surpresa
minha angústia recrudesce desesperada.

Baixo o olhar para o chão,
procuro não vacilar,
tento segurar-me da morte
com minha própria mão
e repetir bem alto e forte
que não te posso nem devo amar.
CA

quarta-feira, 25 de junho de 2014

AMAR


Alguém escreveu que basta tirar algumas letras para mudar o sabor AMARGO

Então se é assim:


Eu quero que a vida AMARGA seja doce

e que o AMARGO que sinto AMARE de vez

num cais de esperança que é o AMOR

e do qual me afasto em estertor.


Quero AMAR, sem a amargura AMARGA...

deste viver sem doçura, 


quero viver no sorriso que transmite uma criança,


quero AMAR a aliança que perdi 


no dia AMARGO em que te foste e morri.


CA


O CHORO DE UMA CRIANÇA

O choro da criança: é o princípio de tudo:
logo à nascença, para respirarmos,
uma palmada no miúdo.

Precisamos de chorar
e choramos sempre,
na juventude, mais tarde e
até agora, nesta hora:
do passado até ao presente,
pela vida afora.

O pior é o choro que não se ouve.
Aquele silêncio da dor interior
que nos rasga por dentro.
E sofremos sem amor:

Um choro invisível, indescritível.
Na psicologia algo risível:
Causa, efeito, vamos analisar
Que mestre para responder
a tão subtil forma de estar?

E chega a hora do adeus,
para todos e até ateus:
choramos na despedida
dos amigos que já sem vida
nos deixam a alma sentida.

Mas para que tudo acabe bem,
deixo um sorriso de esperança
que na psicologia valerá um vintém
depois do choro de uma criança.

Na psicologia aprendemos
que nada é absolutamente garantido;
muitos mestres, muitas vidas lemos
para um teorema ficar concluído.

E se a criança chora,
Será que não é apenas fome?
- diz este velho agora.
Temendo que por louco me tome
o professor, o melhor é ir-me embora.


Texto elaborado para ser dito na festa do final deste ano da Turma de Psicologia do  Desenvolvimento, sob o tema "O choro da Criança".

sábado, 28 de setembro de 2013

DEIXEM-ME DORMIR

Mudei de casa recentemente. Vivo sozinho aqui para os lados do Seixal, na margem sul do Tejo, já perto da foz em Lisboa. Gosto do espaço, embora não seja aquilo que procurava. Contudo, a proximidade de eventual trabalho e porque já vivo nesta zona há mais de trinta anos, é aqui por estas bandas que me habituei a viver. A proximidade das praias da Costa da Caparica, o clima e outras valências importantes também me seduziram e contribuiram para a minha escolha.

É um apartamento pequeno (T1), ainda que acolhedor, numa rua principal, muito movimentada, num prédio de três pisos com nove inquilinos. O sossêgo que procurava e as vistas para a serra ou para o mar aqui não encontro. Por isso, esta não será ainda a minha casa de sonho que andei à procura, e é muito provável que daqui a uns tempos possa até mudar. Até lá, no entanto, com vantagens e desvantagens, é aqui que vou viver nos próximos tempos.
 
Mas esta abordagem à minha nova residência deve-se apenas à questão da tranquilidade que privilegio e que aqui não encontrei, na medida em que queria. Se onde vivi até há pouco acordava a ouvir os passarinhos, aqui adormeço a ouvir os vizinhos...
Por causa disso, inspirei-me na poesia que partilho a seguir e cada um fará o seu juízo de valor e me dirá, depois, o que devo privilegiar: se a sensação do acordar, se a sensação do adormecer...
 

Acordei, a cama tremia, tremia,
E nunca mais parava.

E mais me assustava.
Estaria a sonhar ou a delirar, que fazia?

A tamanho barulho, tomei atenção,
Queria saber qual era a razão.

Tomei consciência com paciência
Que afinal tudo era normal;
Escutando o barulho da vivência
Das brincadeiras de um casal.

Por cima de mim, ao lado, em baixo
O chão não parava de se baloiçar,
Rangia a cama em ritmo de samba
E a mulher não parava de gritar.

Enterro minha cabeça na almofada,
Tapo, ao meu sofrimento, os ouvidos
Sob cobertores minha mente atirada,
Fugindo a todos os meus sentidos.

Percebi com muita pena minha
Que de uma festa se tratava e durava,
Que a noite era afinal da vizinha,
E eu queria dormir, mas aquilo não acabava.

Mas finalmente, já noite adentro
Ouço o grito do Ipiranga, talvez.
Tudo se acalma, e no silêncio me concentro
De que o amor não se faz só uma vez...

A cama tremia, tremia...
Eu já não ouvia.
Carlos Alberto
 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

ILHA DO PICO



Recebi um email com estas imagens da Ilha do Pico e não pude ficar indiferente.

O power point tem o mesmo título que a poesia e aqui fica a minha homenagem àquele que foi eleito o meu lugar de sonho.

A PÉROLA NEGRA DO ATLÂNTICO

Sim, diz-me muito esta terra negra de paixão
que conheci e vivi, onde a vida parece parar,
mas tive de partir e deixar,
porque a vida é como um vulcão:
hoje activo, amanhã não.

E nos silêncios da vida,
olhamos para trás e sorrimos
porque um dia partimos,
mas a terra ainda lá está.

Feita de rocha, pedra sobre pedra
pelo mar moldada e sofrida
ainda a sentimos presente
como um sopro de ar que se sente
numa brisa amena e querida.

Cada recanto reconhecemos
e deslumbra-nos ainda:
cada casa, cada porta, cada olhar;
um dia, com certeza
perante tanta beleza
voltaremos para a abraçar.

CA

Dedico esta poesia à minha filha cujo nome o deve a um lugar desta terra.

PS: Os créditos do Power Point estão no filme a quem agradeço.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

BALANÇO I

Acordei hoje com vontade de escrever algo. Inspirei-me numa estrela.
(Chamo-lhe Balanço I porque é provável que tenha continuação.)

Sou o que sou,
valho o que valho,
cometi muitos erros,

faltou-me o trabalho.

Passei muito tempo a andar
de um lado para o outro,
não parei para pensar
que no amanhã seria pouco.


Não tenho cursos nem licenciaturas,
mestrados e afins, não;
dei tudo aos outros, assinaturas
e a olhar por mim, em vão.


Pouco me importei e investi
em mim: não valia a pena!
Hoje como um sem abrigo senti
que por engano estive em cena.

Fui especial às vezes,
fui pão de ló, arroz doce;
hoje carcaça dura, velha de meses.
Lamento minha postura que fosse
tão usada por interesses.


Tenho aquilo que mereço,
sempre o disse e afirmei
e repito com apreço:
sou aquilo que realizei.


Mas não desisti de viver
mesmo curvado das costas.
Ergo-me direito para fazer
o que tu, minha estrela, me mostras.


Sigo este caminho de vida
acreditando que é este o meu,
fingindo e achando que a lida
com tropeções e quedas, não doeu.


Tudo vale o que vale,
seja sonho, desilusão ou paixão:
vivendo por amor nada é igual
quando se vive gerido pelo coração.


E se estou errado ou certo
tudo vou ficar a saber;
sei que estou já bem perto
do dia em que vou morrer.

Carlos Alberto

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A VIDA

A minha vida está a mudar. Lentamente, mas está. Acontecem-me coisas inesperadas, algumas boas, outras desagradáveis e lido mal com estas últimas. Mas estou a começar a perceber que nada acontece por acaso, e, como me dizia a minha querida mãe, "nem tudo o que nos parece mau para nós o é". E, de facto, aos poucos estou a aceitar melhor esta ideia e a perceber que ela tinha razão e que tudo o que nos acontece tem uma razão de ser.

Obrigado assim a todos os que de alguma forma têm contribuído para estas mudanças, nomeadamente, os meus novos "seguidores" deste humilde blogue que aqui se juntaram a partir do meu 1º ano de existência nestas águas.
 
E como tudo na vida parece cíclico, repete-se hoje o que senti há quarenta anos atrás. Por isso, aproveito mais uma vez para ir rebuscar às minha memórias um poema que escrevi em 14 de Setembro de 1973 e que aqui passo a transcrever:

A VIDA

E navego por mares distantes
entre peixes e outros animais.
Sou carne, todo um corpo sensível
às ondas, ao ruído fustigador
das águas contra o barco.
A calma reina ao sabor
das ondas e do céu azul
na água que cintila recortada
entre espuma branca que se forma.
As gaivotas rasgam o céu,
as nuvens surgem no horizonte;
os olhares tornam-se frios,
os corpos gelam e agasalham-se
em roupas velhas e sebosas.
As almas escurecem e o tempo
as pessoas movimenta.
Apressam-se e oram
interiormente sonha-se
com os filhos, com a mulher,
com a vida.
E a vida estremece
entre olas bravias que se agigantam
envolvidas pelo céu
negro e agressivo que oprime.
Os corpos calafriados oram
mais alto, sonoramente gritam
pela absolvição que se perde
com o turbilhão das águas
que se revoltam;
pela vida que se apaga
entre águas e céus,
entre nuvens e seres
que se movimentam dançando
alheios à miséria; nada
podem fazer sobre todo o sabor
amargo/salgado da água
que se envolve e dissolve
até ao âmago.
E morre-se longe,
abalroados pela água
agitada e inconstante
sem que ninguém se aperceba.

Carlos Alberto

PS: Fiz ligeiríssimas alterações pontuais ao poema inicial.
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MUITO OBRIGADO

Aqui deixo a alguém (AMIGO) muito especial um poema que bem merece. É a minha homenagem possível, modesta, mas sincera.

Por muitos anos que viva, ficarei sempre em dívida pela amizade e carinho, disponibilidade e pela entrega que me dispensou durante uma semana.

E aqui o tempo vale pouco. Uma semana que valeu mais que muitos meses em outros namoros.

Sem ter recebido nada em troca, deu-me tudo, proporcionou-me tudo, abdicou de tudo para eu me sentir bem, para o meu conforto e bem estar, para me sentir feliz e conseguiu.

É esse OBRIGADO que quero deixar aqui. Obrigado "Generosa".



                                           PALAVRAS DITAS E SENTIDAS

És pedra preciosa
reflexo de um imaginário,
a cura milagrosa
impressa no meu Diário.
Jamais serás mais uma,
farás sempre parte de mim,
como o edílico de uma duna
ou o cheiro do Alecrim.

És amor, ternura, paixão,
és uma flor única no jardim;
na paisagem silvestre dirão,
mas um malmequer para mim.
Serás odor, fantasia, amor,
serás o que Deus quiser.
Fantástica mulher, sim, Senhor,
faça-se o que se fizer.
O amanhã ninguém sabe
o que fará desta amizade;
Para já no coração cabe
um imenso obrigado até à eternidade.
 Cpontoal

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

NOITE E DIA


Dentro da noite fria
o ruido fustigador da trovoada
e do vento que sopra forte
e leva os sonhos da gente
que não dorme.
 
Um raio que chega
ilumina o Mundo de um Homem,
mas logo se apaga
e como a vida
escoa-se para a terra.

A chuva cai impiedosamente
e consigo arrasta a vida.
As árvores declinam-se
beijam o chão as folhas
mortas pelo tempo:
As cancelas dos quintais
chocam nos batentes dos trincos;
as portas estremecem;
os olhos nas janelas
refugiam-se…
por detrás das cortinas
o medo alastra-se,
as pessoas apertam-se
e na face de cada um
o retrato vivo
da miséria pungente.

A chuva aumenta persistentemente,
os relâmpagos desencadeiam-se
no espaço as árvores tombam,
as telhas voam,
o tecto desaba,
as paredes desmoronam-se
na derrocada o Mundo alaga-se
em suor e sangue e
nada resta senão
a vida dura e difícil.

Acaba-se o mundo
entre lençóis brancos  
e desperta-se
numa aurora primaveril
(do solstício de inverno)
com um sol radioso:
Olha-se em redor e nada
nos resta senão orar
a Deus pela paz do novo dia.

Carlos Alberto  10-09-1973
Nota1: Trago aqui este poema em alusão ao fim do mundo que ocorrerá em 21 de     Dezembro de 2012

Nota2: Alterei parte o último verso do original para a adaptação ao assunto em ( ).